Hospital da cidade síria de Madaya trata 250 casos graves de desnutrição

Beirute, 8 jan (EFE).- Um hospital da cidade síria de Madaya, ao noroeste da capital Damasco, está atendendo 250 casos graves de desnutrição aguda, apoiado pela Médicos Sem Fronteiras (MSF), declarou nesta sexta-feira à Agência Efe um porta-voz desta ONG.

O coordenador regional de Comunicações da MSF, Sam Taylor, disse por telefone que "a situação médica é extremamente complicada" nesta cidade, cercada desde julho do ano passado.

Taylor ressaltou que o cerco se intensificou desde setembro do ano passado, e desde então não entrou nenhum tipo de provisão médica.

Por isso, "os 250 casos graves de desnutrição precisam ser evacuados imediatamente", advertiu o porta-voz humanitário.

Taylor denunciou que também há feridos por disparos quando tentavam escapar do cerco que não puderam ser tratados de forma adequada, devido à falta de equipamento sanitário e de remédios.

A ONU anunciou ontem que o governo sírio aprovou a chegada de ajuda humanitária a Madaya, onde há 42.000 pessoas cercadas, embora ainda não se saiba quando esta efetivamente entrará na cidade.

Taylor manifestou a satisfação da MSF a esse respeito, mas considerou que "não é questão de que entre um só comboio, mas que se levante o cerco totalmente".

Esta cidade, sob controle da oposição, está cercada há 178 dias pelas tropas do regime sírio e seu aliado, o grupo xiita libanês Hezbollah, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

O responsável humanitário lembrou que Madaya não é o único lugar na Síria que sofre assédio, tanto por parte do governo como da oposição.

"Estamos vendo que na Síria os sítios são empregados como tática de guerra, o que é horrível para os civis porque lhes priva de remédios e alimentos", alertou.

Um total de 4.500.000 pessoas reside em zonas de difícil acesso, que incluem 400.000 que vivem em áreas cercadas, no território sírio, de acordo com dados da ONU.

Na quinta-feira, a MSF afirmou em comunicado que 23 pessoas, das quais seis eram bebês menores de um ano, morreram de fome em Madaya desde 1º de dezembro do ano passado no hospital local ao qual proporciona respaldo.

A Síria é há mais de quatro anos palco de um conflito que custou as vidas de mais de 250.000 pessoas.

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