Líbano deporta 361 sírios que iam à Turquia

Beirute, 8 jan (EFE).- Ao todo, 361 refugiados sírios foram deportados nesta sexta-feira pelas autoridades libanesas em dois aviões que saíram do Aeroporto de Beirute, onde faziam escala rumo à Turquia, informou a "Agência Nacional de Notícias" (ANN).

Eles chegaram ontem à capital do Líbano em voos vindos da Síria com o objetivo de ir à Turquia, mas os dois voos da companhia Turkish Airlines foram cancelados. Está previsto que um terceiro avião leve ainda hoje alguns imigrantes que permanecem no aeroporto.

Segundo a "ANN", o ministro das Relações Exteriores Líbano, Gebran Bassil, disse que o grupo tem que retornar, pois seu país não pode suportar mais "essa carga".

Diversas organizações criticaram duramente as deportações. De acordo com a Anistia Internacional, os cancelamentos dos voos se deveram à nova regulação de vistos imposta pelas autoridades turcas aos refugiados sírios e que restringe o acesso ao país.

"O governo libanês se rebaixou a um novo nível e está colocando esta gente em risco. É uma grande infração das obrigações internacionais do Líbano para proteger todos os refugiados que fogem do massacre e da perseguição na Síria", assinalou em nota o diretor da Anistia Internacional para os Direitos dos Refugiados e Migrantes, Sherif Elsayed-Ali.

No texto, ele apelou ao Executivo libanês para "parar imediatamente com a deportação de refugiados".

"A nova rega de visto da Turquia apresenta um novo obstáculo para os sírios, desesperados na busca por um refúgio do conflito, e mostram as devastadoras consequências que este tipo de restrição pode ter para os refugiados", acrescentou Sherif Elsayed-Ali.

A Human Rigths Watch (HRW) também criticou a ação do Líbano.

"A Segurança Nacional deve cessar imediatamente o envio de sírios que estão no aeroporto a seu país. As autoridades devem examinar individualmente as afirmações dos que temem retornar, já que não se pode colocar uma pessoa em perigo", afirmou em uma nota Haley Bobseine, pesquisadora da HRW no Líbano.

A organização acrescentou que devolver uma pessoa que corre risco de ser torturada infringe as obrigações do Líbano na Convenção Internacional contra a Tortura, ratificada em 2000.

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