Milhares de manifestantes no Irã condenam "atrocidades" sauditas

Teerã, 8 jan (EFE).- Milhares de manifestantes marcharam de novo nesta sexta-feira pelas ruas do Irã para protestar contra as "atrocidades" e as medidas "irracionais" da Arábia Saudita, criticadas também pelos clérigos de todo o país nas tradicionais orações da sexta-feira.

As manifestações, de caráter pacífico e que se desenvolveram sem incidentes, reafirmaram a rejeição iraniana à execução no sábado na Arábia Saudita do clérigo xiita Nimr Baqir al Nimr, o que deu início a uma escalada de tensões entre os dois países e à ruptura total de suas relações.

Após as duras condenações à execução de Al Nimr feitas esta semana pelas altas autoridades iranianas, lideradas pelo líder supremo Ali Khamenei, hoje os líderes das rezas em todo o país falaram com os fiéis com a mesma linha dura contra "a irracional campanha antiiraniana do reacionário governo saudita".

Segundo a agência oficial iraniana "Irna", os religiosos apontaram que a execução de Al Nimr é consequência das fracassadas manobras da Arábia Saudita para recuperar seu status perdido como potência regional.

Outros assinalaram ainda que a ruptura de relações com o Irã, primeiro pela Arábia Saudita e depois por alguns países muçulmanos de maioria sunita é uma manobra com a qual os sauditas querem tapar seus erros.

"O destino dos criminosos dirigentes sauditas será mais miserável que o de ditadores como Saddam Hussein ou o derrubado Xá do Irã, já que a ira das nações em breve os levará ao cemitério da história", afirmou um dos líderes das rezas na cidade de Gonabad.

Outras críticas também apontaram a que a execução só procura "semear a discórdia" entre os muçulmanos e põe em evidência a proximidade entre os sauditas e "as políticas sionistas", além de assegurar "o colapso imediato" da monarquia saudita.

Numas incomuns declarações, vários dos religiosos aplaudiram a população por protestar pelos atos sauditas ao mesmo tempo em que condenaram como "irracionais" os incêndios e ataques aos escritórios diplomáticas sauditas no Irã.

Estas críticas estiveram alinhadas com as oferecidas durante a semana pelo presidente iraniano, Hassan Rohani, que condenou os ataques às sedes diplomáticas e pediu que seus autores fossem detidos, apesar de entender os motivos dessa "raiva".

O governo da Arábia Saudita rompeu no domingo as relações diplomáticas com o Irã após o ataque, na noite anterior, à embaixada saudita em Teerã e ao consulado da cidade de Mashhad, que foi uma resposta à execução do clérigo xiita.

O Irã proibiu a importação de bens sauditas e acusou a Arábia de bombardear sua embaixada no Iêmen, o que foi negado pelos sauditas.

Além das tensões diplomáticas e religiosas, Irã e Arábia Saudita estão em lados opostos em praticamente todos os conflitos regionais, como Síria, Iraque e Iêmen.

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