ONG denuncia que 140 pessoas já morreram em protestos estudantis na Etiópia

Nairóbi, 8 jan (EFE).- A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou que pelo menos 140 pessoas morreram pela violenta repressão das forças de segurança etíopes aos protestos estudantis contra um plano urbanístico para expandir Adis-Abeba, que acontecem nas últimas semanas na região de Oromia, na região metropolitana da capital da Etiópia.

A organização alertou que vários ativistas locais elevaram o número de mortos pela terceira vez, na que pode ser "a maior crise na Etiópia desde a violência eleitoral de 2005", alertou, no final da noite de quinta-feira, o investigador da HRW no Chifre da África, Felix Horne.

Os protestos começaram em dezembro, após a aprovação de um plano urbanístico para expandir Adis-Abeba, o que poderia pôr em perigo as terras de cultivo dos oromo, povo tradicionalmente agrícola e seminômade.

O governo de Hailemariam Desalegn disse recentemente que os manifestantes tinham uma "conexão direta" com grupos terroristas estrangeiros, em alusão à Frente de Libertação Oromo (OLF), um movimento separatista que há décadas luta pela independência de Oromia.

O vice-presidente do Congresso Federalista Oromo (OFC), o partido legal mais importante da região, Bekele Gerba, está desaparecido desde 23 de dezembro, quando foi detido pela polícia.

O governo etíope detém periodicamente a intelectuais e figuras proeminentes entre os oromo, por temer que sua influência política possa encorajar a população a se rebelar contra a administração.

Os protestos dos estudantes começaram em Ginchi, uma pequena cidade a 80 quilômetros ao sudoeste da capital de Adis-Abeba, quando as autoridades começaram a trabalhar no desmatamento de uma floresta onde está planejado o projeto de construção.

Os protestos se estenderam rapidamente por toda a região de Oromia, lugar de origem de 35 milhões de oromo, o maior grupo étnico do país.

Cerca de dois milhões de pessoas vivem na área afetada pelo plano urbanístico de expansão da capital e muitos manifestantes temem que esse projeto poderia deslocar agricultores e habitantes oromo que vivem perto de Adis-Abeba.

Protestos semelhantes aconteceram em abril de 2014, quando também houve mortes, feridos e detenções maciças de manifestantes.

A lei Antiterrorista etíope permite que as autoridades usem a força de modo ilimitado contra os suspeitos de atos terroristas, incluindo a prisão preventiva por até quatro meses, em que frequentemente há torturas, segundo ativistas.

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