Presidente de Governo da Espanha critica possível coalizão de oposição

Madri, 8 jan (EFE).- O presidente do Governo da Espanha, Mariano Rajoy, advertiu nesta sexta-feira para uma possível coalizão dos socialistas com partidos independentistas para formar governo e afirmou que essa não seria a opção mais conveniente para a Espanha.

Rajoy, que foi hoje ao Congresso para tomar posse como deputado, voltou a insistir em sua proposta de um grande pacto de seu partido, Partido Popular (centro-direita), com os socialistas (PSOE) e Ciudadanos (centro liberal).

Os três formariam, disse, um "grupo forte de 250 deputados" em um parlamento de 350 cadeiras, que poderia levar adiante as reformas e que "transmitiria fora e dentro da Espanha uma mensagem de tranquilidade, estabilidade, segurança e certeza".

O PP, com 122 deputados, foi o primeiro colocado nas eleições gerais de 20 de dezembro, mas não com maioria suficiente para formar governo, por isso precisa pactuar com outros partidos para continuar no comando do governo, embora nenhum atá agora tenha aceitado apoiá-lo.

Caso Rajoy não possa formar governo, o líder socialista, Pedro Sánchez, lembrou ontem que o PSOE "assumirá sua responsabilidade" como segunda força política (90 cadeiras) e tentará liderar um Executivo apoiado pelos partidos progressistas.

Sánchez viajou ontem a Lisboa para conhecer a experiência política de Portugal, onde os socialistas presidem o governo com o apoio de duas forças de esquerda, após serem o segundo partido nas eleições.

Em declarações aos jornalistas, Rajoy disse que vê o líder socialista "capaz" de buscar uma coalizão de "oito ou nove partidos", alguns com abordagens independentistas, e que não acredita que essa seja a opção mais conveniente para a Espanha.

O presidente do Governo, que continua no cargo interinamente até a definição, não quis dar detalhes das conversas com outras forças políticas para conseguir sua posse e insistiu que continuará a defender sua proposta.

Rajoy explicou que não pôde fazer até agora nenhuma oferta concreta a Sánchez "porque ele não quis escutá-la", mas a fará no debate de posse.

O chefe do Executivo espanhol reiterou que só há três opções: o pacto que ele coloca, uma coalizão de "extrema esquerda", que inclua independentistas e partidários do direito de autodeterminação ou voltar a realizar eleições gerais.

A "melhor" das opções, ressaltou, é a sua, "porque o país precisa de estabilidade, certeza, segurança, consolidar a recuperação econômica e seguir no caminho de crescimento econômico forte e de criação de emprego".

O plano de Sánchez de tentar formar um governo de esquerda foi apoiado hoje pela presidente do governo da Andaluzia, Susana Díaz, que lidera o grupo socialista mais potente da Espanha, embora ela tenha afirmado que "não a qualquer preço, e desde que não ponha em questão a unidade da Espanha".

A possibilidade de pactuar com outros partidos foi questionada pela direção do PSOE, já que alguns líderes regionais não veem com bons olhos chegar a um acordo com o Podemos, novo grupo de esquerda que defende o direito a realização de um referendo sobre a independência na Catalunha, embora o partido seja contra a independência catalã.

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