EUA levam "muito a sério" caso de míssil enviado à Espanha que acabou em Cuba

Washington, 8 jan (EFE).- O governo dos Estados Unidos garantiu nesta sexta-feira que está levando "muito a sério" o caso de um míssil sem carga explosiva que foi enviado à Espanha em 2014 e utilizado em exercícios militares da Otan, mas que terminou involuntariamente em Cuba, ao invés de ser devolvido aos EUA.

"Este é um assunto que a Administração (dos EUA) leva muito, muito a sério. Acredito que por razões que são mais do que óbvias", disse hoje o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, ao ser perguntado sobre essa questão em sua entrevista coletiva diária.

Já o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, se limitou a afirmar que as empresas americanas são "responsáveis" de documentar seus planos logísticos nas entregas de material militar, assim como de informar o governo sobre qualquer desvio.

O jornal "The Wall Street Journal" informou ontem que um míssil ar-terra "Hellfire", fabricado pela companhia Lockheed Martin, sem carga explosiva, mas dotado de tecnologia muito avançada, se encontrava em território cubano após ter passado pela Espanha e outros países europeus.

Segundo o jornal citado, as autoridades estão investigando se isso ocorreu por um erro no envio da carga que continha o míssil, que antes de chegar a Cuba passou por Alemanha e França, ou se faz parte de uma ação criminosa ou de espionagem.

Os mísseis "Hellfire" são disparados de aviões de combate e helicópteros. Esses projéteis foram desenvolvidos inicialmente como uma arma antitanque, mas se modernizaram e foram utilizados em drones para atacar alvos de grupos terroristas no Iêmen e Paquistão.

Neste caso, o míssil saiu do aeroporto de Orlando, na Flórida, com destino à base naval de Rota, em Cádiz, na Espanha, e foi utilizado em exercícios da Otan, segundo as fontes consultadas pelo "Wall Street Journal".

A carga que continha o míssil passou por diferentes companhias de transporte e, supostamente, tinha que ter sido enviado a Madri, e de lá, via aérea, a Frankfurt, para ser transferido dessa cidade para a Flórida em outro avião.

No entanto, e por razões que ainda estão sendo investigadas, na revisão do primeiro voo se deu falta do míssil, segundo o "WSJ".

A peça tinha sido transportada em um caminhão a Frankfurt e, de lá, para o aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, também em um caminhão.

Na França, o projétil foi colocado junto com outras caixas em um voo da Air France que, após uma investigação, teve como destino Havana, onde, logo após sua chegada, foi confiscado pelas autoridades cubanas.

A Lockheed Martin confirmou em junho de 2014 que o míssil perdido seguramente estava em Cuba, e notificou o Departamento de Estado, segundo as fontes.

As autoridades americanas, que levam mais de um ano pedindo que Havana devolva essa peça, temem que a tecnologia contida no míssil possa ter sido compartilhada com nações como China, Coreia do Norte e Rússia, acrescentou o "Wall Street Journal".

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