Irã espera que Arábia Saudita atenda "ao chamado da razão"

Teerã, 9 jan (EFE).- O Irã espera que a Arábia Saudita atenda "ao chamado da razão" e deixe de apoiar grupos extremistas e promover o ódio sectário na região para colaborar na defesa da estabilidade global, afirmou neste sábado o ministro de Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif.

Em uma nota enviada à Secretaria-Geral das Nações Unidas, o diplomata iraniano se referiu "aos desafortunados incidentes dos últimos dias" entre seu país e Arábia Saudita, e responsabilizou setores no interior do país árabe embarcados na missão de "arrastar toda a região para um conflito".

Zarif apontou que o Irã "não tem nenhum desejo ou interesse em escalar a tensão" com seus vizinhos sauditas e que de fato suas políticas ao longo do último ano e meio foram dirigidas a dialogar com a Arábia Saudita para promover a estabilidade regional.

"Todos temos que estar unidos frente às ameaças que os grupos extremistas representam contra todos nós. O presidente (Hassan) Rohani e eu enviamos sinais públicos e privados à Arábia Saudita sobre nossa disposição em dialogar para promover a estabilidade e combater o desestabilizador extremismo violento", apontou.

O ministro explicou que a execução no sábado passado do clérigo xiita Nimr Baqir al Nimr, que deu início a uma escalada de tensões entre Teerã e Riad e à ruptura total de suas relações, foi a última de uma longa série de "provocações" sauditas ao Irã, às que seu país não respondeu.

Zarif apontou por exemplo os ataques a instalações diplomáticas iranianas no Iêmen, aos maus-tratos sistemáticos aos seus peregrinos em Meca e aos sermões oficiais "de ódio" em direção ao Irã e a todos os xiitas, assim como a instigação da guerra econômica contra seu país.

"Frente a estas atitudes sectárias, o governo iraniano condenou inequivocamente os ataques contra a embaixada saudita e contra seu consulado, e assegurou a segurança e dignidade de todos os diplomatas sauditas", disse.

Para o ministro, a reação saudita se deve ao fim das sanções sobre o programa nuclear iraniano, uma "cortina de fumaça" que, a partir de sua eliminação "exporá a ameaça real que são os extremistas e seus patrocinadores".

Assim, Zarif lembrou que a maioria dos membros da Al Qaeda, o talibã, Estado Islâmico e da Frente Al Nusra são sauditas ou foram influenciados por "demagogos financiados pelo petróleo" que promovem "uma mensagem de ódio, exclusão e sectarismo" há décadas.

O governo da Arábia Saudita rompeu no domingo suas relações diplomáticas com o Irã após o ataque, na noite anterior, à Embaixada saudita em Teerã e ao seu consulado da cidade de Mashhad, que aconteceu em resposta à execução do clérigo Al Nimr.

O Irã deteve 40 pessoas por estes ataques e tentou diminuir sua importância, enquanto Bahrein, Djibuti e Sudão apoiaram a Arábia Saudita e retiraram seus diplomatas do Irã e outros países árabes chamaram seus diplomatas paraa consultas ou reduziram seu pessoal na capital iraniana.

Enquanto isso, o Irã proibiu a importação de bens sauditas e acusou Riad de bombardear sua embaixada no Iêmen, o que foi negado pelos árabes.

Além das tensões diplomáticas e religiosas, Irã e Arábia Saudita se encontram enfrentados em todos os cenários regionais e defendem a lados opostos nos conflitos civis em Síria, Iraque e Iêmen.

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