Merkel anuncia duras punições a refugiados que cometerem crimes na Alemanha

Noelia López.

Berlim, 9 jan (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou neste sábado que irá endurecer a legislação para os refugiados que cometerem crimes no país, após os acontecimentos da noite de Ano Novo na cidade de Colônia, e defendeu reformas para retirar o direito de asilo e agilizar a deportação dos que forem condenados, inclusive a penas inferiores a dois anos.

A direção de seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), se reuniu hoje na cidade de Mainz e debateu uma extensa lista de medidas em resposta ao escândalo que abalou a Alemanha. Conforme os últimos dados da Polícia de Colônia, 379 denúncias de crimes supostamente cometidos na estação de trem na última noite do ano foram recebidas, sendo que 40% são por assédio sexual.

Em comunicado, a polícia informou que a maior parte dos indivíduos investigados procede de países norte-africanos e são "solicitantes de asilo e pessoas que se encontram de maneira ilegal na Alemanha", embora ainda esteja sendo estudado se eles podem ser acusados de delitos concretos e em qual grau.

"Os casos que aconteceram no Ano Novo são repugnantes atos criminosos que exigem respostas decididas", disse Merkel em entrevista coletiva, convencida de que os cidadãos exigem "ações" e não apenas palavras.

"Isso é em prol dos cidadãos alemães, mas também da grande maioria dos refugiados que está conosco, e por isso é totalmente correto", afirmou a chanceler.

Na denominada "Declaração de Mainz", a CDU propõe retirar o direito de asilo aos refugiados condenados tanto a reclusão quanto a liberdade condicional, que costuma ser aplicada em penas inferiores a dois anos, e diminuir os limites para a deportação de criminosos estrangeiros.

"Os criminosos que, por exemplo, de maneira reiterada cometem roubos ou insultam mulheres devem também experimentar a dureza da lei", disse ela, após assinalar que apresentará estas propostas à ala social-democrata da grande coalizão de governo para sua aprovação.

O documento da CDU propõe também aumentar as penas para os crimes sexuais e que seja considerado estupro quando a vítima disser claramente "não", embora não haja coação ou violência, e que sejam castigados penalmente comportamentos como os de assédio sexual. Os conservadores propõem obrigar os imigrantes a assinar "acordos vinculativos de integração" e defendem dar maiores poderes à polícia para realizar controles.

Segundo Merkel, os fatos do Réveillon evidenciaram que as atuais leis são insuficientes e geram insegurança na população.

Hoje também o grupo de caráter xenófobo Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente (Pegida) aproveitou a tensão gerada no país para convocar uma manifestação em Colônia, onde reuniu cerca de 1.700 pessoas, segundo estimativas da imprensa local.

Os policiais usaram com canhões d'água para dispersar os manifestantes, identificados pela imprensa local como membros do grupo "Hooligans gegen Salafisten" e que atacaram os agentes com garrafas e bombinhas. Este movimento ultradireitista protagonizou uma batalha campal em Colônia em 2014, quando seus integrantes se enfrentaram com a polícia e 50 agentes ficaram feridos.

As autoridades tinham desdobrado um grande dispositivo para evitar enfrentamentos e incidentes, já que havia também a convocação de uma contramanifestação de grupos antifascistas, que contou com, aproximadamente, 1.300 pessoas.

Pouco antes do início das duas manifestações, 1.000 mulheres se reuniram para protestar contra o racismo e o sexismo nas escadarias da emblemática Catedral de Colônia, que fica em frente à estação de trem palco dos incidentes do Ano Novo.

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