Oposição discute nas ruas projetos e chavismo pede contenção de "ilegalidade"

Caracas, 9 jan (EFE).- Deputados opositores discutiram neste sábado em assembleias populares projetos de lei que levarão ao Parlamento que agora controlam, enquanto o chavismo espera que a Corte Suprema contenha as "ilegalidades" atribuídas à nova maioria.

Vários deputados do partido Primeiro Justiça, o mais votado da oposição nas eleições parlamentares do mês passado, explicaram a seus seguidores nas ruas algumas das leis que apresentarão na Assembleia Nacional (AN, Parlamento) a partir da próxima terça-feira.

"Iniciamos o que dissemos que íamos fazer ao ganhar a AN: sair para as ruas a discutir as leis e os problemas do povo. Em toda a Venezuela hoje estão sendo feitas assembleias, em cada estado, em todo o país", declarou o deputado Tomás Guanipa em uma delas, sem avaliar a repercussão que a iniciativa teve na cidadania.

A Mesa da Unidade (MUD), que reúne 30 partidos opositores ao governo do presidente, Nicolás Maduro, ganhou 112 das 167 cadeiras da AN e deixou o chavismo somente com 55, embora uma decisão judicial tenha ordenado reduzi-los para 109 e 54 ao aceitar impugnações dos resultados no estado de Amazonas (sul do país).

O presidente da AN e um dos mais críticos opositores a Maduro, Henry Ramos Allup, empossou os 112 opositores e negou que tenha cometido um crime de desacato à sentença do Supremo.

Qualquer decisão parlamentar carece de valor por esse fato, segundo a bancada chavista, que espera que o Supremo contenha tal "ilegalidade".

"Somos uma nova maioria que deixará a 'briguinha' (com o governo) e vai se dedicar a trabalhar pelos venezuelanos, vamos dar prioridade aos temas sociais e econômicos", acrescentou Guanipa.

"Na próxima terça-feira, teremos as leis sociais para começar sua discussão no seio da AN, uma vez apresentadas na rua onde continuaremos acompanhando o povo em sua dor, em sua angústia, mas também em sua esperança de ter um país melhor", anunciou.

Guanipa acrescentou que os projetos opositores tentam combater a escassez de produtos, principalmente alimentos, o alto custo de vida e a insegurança cidadã, "sem descuidar da reconciliação nacional através da pronta libertação dos presos políticos".

A esse respeito, o dirigente Oscar Pérez, refugiado no Peru após declarar-se perseguido político, exigiu em carta que a AN aprove "no menor tempo possível" a Lei de Anistia "em favor dos presos políticos e exilados".

"No exílio estamos esperançosos de que se apresente na próxima semana no Parlamento esta iniciativa, que permitirá devolver a alegria a muitos lares que sentem o rigor da ausência de um ser querido em prisão ou perseguido só por pensar diferente", disse Pérez.

Além da anistia, o deputado Miguel Pizarro destacou que outro projeto quer que o governo de Maduro entregue títulos de propriedade aos beneficiados do plano Grande Missão Moradia que, segundo o chefe de Estado, já deu casa própria de maneira gratuita a um milhão de famílias.

Estes são temas prioritários, destacaram os opositores, ao criticar que o chavismo continue tentando "tirar proveito" da ordem do presidente da AN para a retirada de imagens do herói Simón Bolívar e do falecido presidente Hugo Chávez.

No mesmo dia que tomou posse de seu cargo, Allup foi filmado na terça-feira quando pedia a alguns operários para entregar os retratos de Chávez "à viúva e a suas filhas", ou ao Palácio Presidencial, ou jogá-los no lixo junto com retratos de Bolívar confeccionados "por computadores" e que rotulou de "falsificações".

Desde esse dia, o chavismo se mobilizou em várias cidades contra o que consideram uma "ofensa".

"Se a maneira como isso foi feito fere alguma sensibilidade, eu quero dizer a todos esses milhões de chavistas que votaram em nós que pedimos desculpas se se sentiram feridos", disse na sexta-feira o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba.

No entanto, Torrealba defendeu a medida ao assinalar que a Assembleia se trata de "uma instituição coletiva", por isso que "não pode ser personalizada com o retrato de ninguém".

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) de Maduro e outras instâncias chavistas não aceitaram as desculpas e neste sábado voltaram a se reunir em repúdio a "esta pancada que foi dada no povo e na sua história", como disse Maduro.

A rejeição chavista às desculpas opositoras se repetiu em Caracas e em outras cidades, onde em declarações de dirigentes e também em cartazes se pediu que o Supremo encerre as intenções "golpistas" que atribuem ao Parlamento.

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