Partido majoritário tunisiano realiza primeiro congresso em meio a crise

Sousse (Tunísia), 9 jan (EFE).- O partido majoritário tunisiano Nidá Túnis, que em 2012 contribuiu para salvar "a revolução do jasmim", iniciou neste sábado seu primeiro congresso nacional em meio a uma aguda crise institucional.

Mais de 1.600 delegados de todos os cantos do país chegaram à cidade litorânea de Sousse, 120 quilômetros ao sul da capital, Túnis, para tentar reconduzir a situação depois de em novembro um terço de seus 86 deputados ameaçasse abandonar a disciplina no parlamento.

Dias antes, estes críticos tinham denunciado uma tentativa de agressão dos partidários de Hafiz Caid Essebsi, filho do presidente do país e do Nidá Túnis, Beji Caid Essebsi, ao que muitos acusam de manobrar para tentar suceder seu pai nos dois cargos.

Diante da gravidade da situação, que ameaçava deixar o Nidá Túnis como segunda força na câmara, atrás dos islamitas de An Nahda, o líder obrigou seu filho a negar publicamente suas supostas intenções e convocou este congresso para tentar curar essa fratura.

Essa divisão também põe em risco a estabilidade do governo que o partido lidera junto com os islamitas, e que se agravou esta semana depois de seu ex-secretário geral e membro fundador, Mohsen Marzuk, anunciasse o boicote ao congresso e a criação de um partido próprio.

Marzuk, que celebra amanhã seu próprio ato político na capital, acusou o Nidá Túnis de ter perdido o espírito democrático e de conciliação das diferentes sensibilidades com que nasceu em 2012, em um momento em que a revolução estava a ponto de descarrilar.

Segundo a minuta do discurso inaugural de Essebsi ao que à Agência Efe teve acesso, o líder fará uma breve alusão à disputa, sublinhando a necessidade de superá-la em prol do interesse da nação.

"Talvez a última crise pela que o partido passou seja parte da evolução natural de sua atividade, mas não quero em deter muito nisso. É preciso superá-la pelo interesse nacional e fazer com que passe acima dos interesses partidários e individuais", assinala o parágrafo.

Sob este argumento, Anis Maazum, coordenador regional da cidade de Ariana, nos arredores da capital, e membro do Comitê Executivo, garantiu à Efe que este congresso era necessário além destas disputas.

"Vão revisar as grandes linhas do programa político. O Nidá Túnis nasceu para ser uma máquina eleitoral e esperamos que a partir deste primeiro congresso se transforme em um verdadeiro partido político para governar por muitos anos mais", afirmou.

Nidá Túnis foi fundado em 16 de junho de 2012 pelo atual presidente do país em um momento de violência e enfrentamento entre os diversos grupos da revolução após a vitória eleitoral de An Nahda.

Essebsi conseguiu agrupar em torno de seu ideal um mosaico de grupos opostos, desde conservadores da época de Zin el Abidin Ben Ali, o ditador derrubado em 2011, a membros da esquerda socialista e comunista, movimentos progressistas, de defesa dos direitos humanos, feministas, jovens, sindicalistas e laicos.

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