Irã tentará evitar que crise com Arábia Saudita piore conflito na Síria

Teerã, 10 jan (EFE).- O Irã se esforçará para que a escalada na tensão com a Arábia Saudita não piore a situação de conflito na Síria, onde ambas as partes apoiam lados opostos, afirmou neste domingo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif.

Ele se reuniu hoje em Teerã com Staffan de Mistura, enviado especial das Nações Unidas para a Síria, com quem debateu a situação naquele país e os possíveis impactos que a "guerra das embaixadas" pode ter na hora de resolver o conflito civil.

Conforme uma nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã, Zarif expressou a De Mistura o desejo de seu país de manter uma postura "construtiva" com relação à resolução pacífica do conflito sírio e de outros problemas da região.

"O papel do Irã nas crises regionais sempre foi construtivo. Nesta linha, não deixaremos que as atitudes da Arábia Saudita tenham um impacto negativo na crise síria, ou que agravem a situação no Iêmen e na crise de migração que enfrenta Europa", disse o ministro.

Zarif acusou o governo em Riad de ser "quem mais contribui" às crises regionais e particularmente na atual escalada de tensão entre ambos os países.

Ele afirmou que os bombardeios sauditas à embaixada iraniana no Iêmen, que Teerã denunciou perante as Nações Unidas, não são mais que "um pretexto para desviar a atenção da opinião pública sobre suas falsas aproximações aos problemas da região". Pelo contrário, Zarif ressaltou que seu país "atuou responsavelmente" na hora de proteger as embaixadas estrangeiras em seu território.

De Mistura, por sua vez, aproveitou o encontro para apresentar a Zarif a lista de possíveis grupos opositores ao governo de Bashar al Assad que participariam das negociações de paz sobre a Síria, um esforço complexo no qual destacou e apreciou "o papel construtivo e positivo" do Irã.

Ontem, De Mistura esteve em Damasco para tratar desse assunto com o governo de Bashar al Assad. O regime de Damasco indicou que está pronto para participar das próximas conversas de paz previstas para o próximo dia 25, em Genebra.

Essas negociações deveriam representar o início de um ambicioso plano de 18 meses apoiado pela ONU em torno de uma transição política na Síria. O Irã é o principal aliado de Al-Assad na região e mantém na Síria vários "conselheiros" militares que lutam contra os inimigos do regime.

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