México mantém silêncio sobre entrevista de "El Chapo" a Sean Penn

México, 10 jan (EFE).- A presidência mexicana se manteve em silêncio neste domingo sobre a entrevista que o ator americano Sean Penn fez em outubro do ano passado com o narcotraficante Joaquín "El Chapo" Guzmán quando ele estava foragido e na qual a atriz Kate del Castillo teve papel-chave.

Perguntado pela Agência Efe sobre a posição do governo respeito da entrevista, escrita por Penn e publicada ontem pela revista "Rolling Stone", o coordenador de Comunicação da presidência, Eduardo Sánchez, se limitou a dizer: "não há comentários".

De acordo com outras fontes do governo, a entrevista realizada em uma região selvagem do México "é irrelevante para o processo que continuará" contra o líder do Cartel de Sinaloa, apesar de ter contribuído para que as forças de segurança dessem com seu paradeiro.

Diferentemente do governo mexicano, o chefe de gabinete da Casa Branca, Denis McDonough, disse hoje à tarde, em entrevista à rede "CNN", que "essa fanfarronice (de 'El Chapo') sobre a quantidade de heroína que ele manda para todo o mundo, incluído os Estados Unidos, é exasperante".

"Há uma epidemia de heroína, de dependência dos opiáceos, neste país. Portanto, vamos continuar combatendo isso com nossos parceiros mexicanos, até que a tenhamos sob controle", sustentou ele, acrescentando que "El Chapo", recapturado na sexta-feira passada, está agora "atrás das grades, onde deveria permanecer".

Sobre a aproximação para fazer "esta dita 'entrevista'", McDonough disse que "gera muitas dúvidas muito interessantes" tanto sobre Penn quanto sobre os outros envolvidos.

O encontro de "El Chapo" com Sean Penn e a atriz mexicana, que serviu de tradutora e fez o contato para fechar a entrevista, aconteceu na madrugada de 2 para 3 de outubro de 2015. Uma segunda entrevista estava marcada para acontecer oito dias depois, mas, por conta das operações realizadas na região pelas forças de segurança mexicanas para prender o traficante, o encontro não aconteceu.

Na entrevista, o criminoso diz que fornece mais heroína, metanfetamina, cocaína e maconha "do que ninguém no mundo" e que tem "uma frota de submarinos, aviões, caminhões e navios".

Até agora, a atriz mexicana também não se pronunciou sobre o caso. Ela e "El Chapo" começaram a ter contato em 2012, depois que ela divulgou uma carta no Twitter pedindo para que ele usasse seu poder para ser "um herói" e fazer o bem.

Apesar de toda a situação, mais cedo, o núncio apostólico do Vaticano no México, Christophe Pierre, afirmou que o papa, que visitará o país de 12 a 17 de fevereiro, não fará "interferência na vida política" mexicana, embora esteja acompanhando as notícias sobre "El Chapo", além da questão dos 43 jovens desaparecidos em Guerrero em 2014.

"O papa não tem a pretensão de vir resolver os problemas do México. Como chefe da Igreja Católica, vem para encontrar o povo mexicano", afirmou Pierre.

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