Polônia convoca embaixador alemão por reiteradas críticas ao governo

Berlim, 10 jan (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da Polônia, Witold Waszczykowski, anunciou neste domingo que pediu ao embaixador da Alemanha em Varsóvia, Rolf Nikel, que vá amanhã à sede do Ministério, por causa das declarações "antipolacas" feitas por vários políticos alemães.

O Ministério de Relações Exteriores polonês informou em um breve comunicado sobre esta decisão depois de destacados políticos germânicos terem questionado as últimas medidas legislativas aprovadas pelo governo ultraconservador do partido Lei e Justiça.

Na próxima quarta-feira a Comissão Europeia (CE) fará um debate sobre a situação do Estado de direito na Polônia, após a aprovação de uma polêmica lei que aumenta o controle governamental sobre os meios de comunicação públicos.

Além da preocupação mostrada pela CE, nos últimos dias se sucederam críticas de políticos alemães à situação vivida no país vizinho desde que o Lei e Justiça ganhou, com maioria absoluta, as eleições de outubro.

Em entrevista divulgada ontem pelo jornal "Frankfurter Allgemeinen Sonntagszeitung", o presidente do parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, acusou o novo governo de Lei e Justiça de buscar "uma democracia dirigida, ao estilo de (Vladimir) Putin", presidente da Rússia, ao interpretar sua vitória eleitoral como um mandato para subordinar as instituições do Estado ao vencedor.

"É uma perigosa 'putinização' da política europeia", ressaltou Schulz.

Diante das críticas à lei de imprensa, o ministro polonês de Justiça, Zbigniew Ziobro, remeteu uma carta ao comissário europeu de Economia e Agenda Digital, Günther Oettinger, também alemão, para defender a atuação de seu governo.

Ziobro denunciou a "censura" na Alemanha, onde os principais meios de comunicação demoraram dias para publicar as múltiplas agressões sexuais registradas na noite de ano novo em Colônia.

"(Oettinger) pediu para pôr a Polônia sob supervisão. Essas palavras, na boca de um político alemão, têm as piores conotações possíveis para os poloneses", disse Ziobro a Oettinger, ao lembrar que é neto de um oficial polonês que lutou durante a Segunda Guerra Mundial contra o que ele chamou de "a supervisão alemã".

Milhares de pessoas se manifestaram ontem nas principais cidades da Polônia para "defender a democracia", que consideram ameaçada pelas medidas aprovadas pelo novo governo para a reforma do Tribunal Constitucional e sobre os meios de comunicação públicos.

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