Suposto terrorista de Paris viveu em albergue de refugiados na Alemanha

(Atualiza com novos dados da polícia e declarações do prefeito).

Berlim, 10 jan (EFE).- O suposto terrorista abatido na último dia 7 em frente a uma delegacia em Paris viveu em um albergue de refugiados na cidade de Recklinghausen, no oeste da Alemanha, informou o Escritório de Investigação Criminal (LKA) do estado da Renânia do Norte-Westfália.

Em entrevista coletiva, o diretor do LKA, Uwe Jacob, disse que o homem já tinha sido preso em várias ocasiões e foi investigado por diversos crimes, desde posse de armas e tráfico de drogas a agressão e assédio. De acordo com ele, após receber informações das forças de segurança francesas, a polícia voltou ontem ao lugar em que o suspeito estava abrigado no albergue.

Segundo Jacob, o homem esteve pela primeira vez na Alemanha em 2013, após passar cinco anos de maneira ilegal na França. Ele utilizou até sete identidades diferentes e distintas nacionalidades, tais como síria, tunisiana e marroquina.

"Não sabemos com convicção quem é exatamente", reconheceu o principal responsável policial da Renânia do Norte-Westfália, que informou que o homem foi extraditado em uma ocasião da Suécia à Alemanha após cometer um crime.

O suspeito chegou em agosto do ano passado a Recklinghausen, onde obteve autorização de residência como solicitante de asilo. Sua última passagem pela polícia alemã foi por violação da lei de armas em 30 de novembro.

O suposto terrorista foi morto pela polícia francesa quando aparentemente pretendia atacar com uma faca uma delegacia em um dos bairros mais multiétnicos de Paris. De acordo com as autoridades, ele ainda usava um falso cinto de explosivos. Os investigadores alemães acreditam que o homem se radicalizou e atuou sozinho e não acham que por trás dele exista algum tipo de organização ou estrutura.

Na inspeção ao albergue de refugiados de Recklinghausen foram encontrados desenhos que teriam sido feitos pelo suspeito da bandeira do Estado Islâmico (EI) em dois quartos. A polícia também apreendeu vários arquivos de computador e cartões de telefone.

De acordo com fontes da investigação na França, o suposto terrorista tinha jurado lealdade ao líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, e sobre seu corpo foi encontrado um papel com a bandeira do grupo jihadista e uma reivindicação manuscrita em língua árabe.

O jornal "Welt am Sonntag", que cita fontes das forças de segurança alemãs, destaca que o homem tinha solicitado asilo usando o nome de Walid Salihi, uma de suas identidades.

Conforme a publicação, em setembro de 2015, ele tinha desenhado na parede do albergue o símbolo do Estado Islâmico. A revista "Der Spiegel", por sua vez, afirma que ele se fotografou no abrigo com uma bandeira do grupo terrorista.

Em comunicado, o prefeito de Recklinghausen, Christoph Tesche, disse estar comovido com a notícia e anunciou que hoje se reunirá com as autoridades competentes para analisar a situação. A cidade de Recklinghausen, no estado da Renânia do Norte-Westfália, na fronteira com a Holanda e a Bélgica, tem 115 mil habitantes e acolhe, atualmente, cerca de 1.200 solicitantes de asilo.

"Continua sendo nosso dever humanitário e legal dar um teto às pessoas que fogem de seu lar porque temem por suas vidas. Mas também é nosso dever, especialmente perante nossos cidadãos, trabalhar com todas as autoridades competentes de forma intensa para evitar que pessoas com tais intenções se escondam em nossas instalações", disse o prefeito.

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