Foster, a primeira mulher a liderar o governo da Irlanda do Norte

Dublin, 11 jan (EFE).- Marcada desde pequena pelo terrorismo do IRA, Arlene Foster enfrenta a partir desta segunda-feira o desafio de ser a primeira mulher que dirige o governo da Irlanda do Norte, de poder compartilhado entre protestantes e católicos, por estar à frente do ultraconservador Partido Democrático Unionista (DUP).

Após tomar as rédeas em dezembro do partido fundado pelo reverendo Ian Paisley, Foster assume a chefia do Executivo autônomo de Belfast substituindo Peter Robinson, que decidiu deixar a política.

Assim como seu antecessor, a nova ministra principal, de 45 anos, terá como Martin McGuinness como adjunto no governo, o "número dois" do Sinn Féin e ex-comandante do Exército Republicano Irlandês (IRA), a organização terrorista que tentou matar seu pai.

Foster ingressou no DUP em 2004, ao sair do Partido Unionista do Ulster (UUP) - até então a formação protestante hegemônica na Irlanda do Norte, em protesto pelo descumprimento de alguns conteúdos do acordo de paz da Sexta-Feira Santa (DUP) pelo IRA, um pacto a que sempre se opôs.

Nascida na pequena cidade de Roslea, no condado de Fermanagh, ela foi deputada regional por essa circunscrição desde 2003, e substituiu temporariamente Robinson no posto de ministro principal.

A primeira foi no início de 2010, quando Robinson se ausentou durante várias semanas para solucionar os problemas familiares que surgiram após o escândalo sexual e financeiro protagonizado por sua esposa Iris, de 66 anos.

A ex-primeira dama foi internada em um centro psiquiátrico depois da divulgação de que ajudou seu ex-amante Kirk McCambley, 39 anos mais jovem que ela, a abrir uma cafeteria em Belfast.

A segunda foi em setembro de 2015, quando o ministro principal renunciou após o suposto retorno da atividade do IRA, antigo braço armando do Sinn Féin.

Antes disso Foster, casada e mãe de três filhos, ocupou o ministério de Meio Ambiente entre 2007 e 2008 e o de Empresas, Comércio e Investimento entre 2008 e maio de 2015, quando se tornou ministra de Finanças.

Além disso, ela tem experiências relacionadas ao conflito na província britânica. O IRA tentou assassinar sem sucesso seu pai em 1978, um agricultor e reservista do Royal Ulster Constabulary (RUC) - a antiga polícia norte-irlandesa, de maioria protestante e considerada sectária.

Embora seu pai tenha sobrevivido ao atentado, a família se viu obrigada a abandonar a região.

Dez anos depois, uma bomba colocada debaixo do ônibus escolar em qual viajava explodiu sem causar vítimas mortais.

O alvo do IRA era o motorista, voluntário do exército britânico, e, embora Foster tenha saído ilesa, uma amiga ficou gravemente ferida, o que, segundo confessou ela mesma, a marcou profundamente.

Advogada de profissão, a dirigente unionista ainda vive em Fermanagh com seu marido e seus filhos. Ela é considerada por seus correligionários uma política capaz e que fala claramente e sem rodeios.

Ao contrário de muitos de seus companheiros de partido, Foster não pertence à Igreja Livre Presbiteriana fundada por Paisley, cujo partido finalmente aceitou formar governo com o Sinn Féin em 2007 ao chegarem a um novo acordo no ano anterior após intensas negociações, nas quais Foster teve um papel de destaque.

Embora sua posição em temas como aborto e casamento gay seja conservadora, ela é partidária, por exemplo, de legalizar o fim da grazvidez em caso de má formação.

Os norte-irlandeses estão curiosos para ver que tipo de relação Foster e seu adjunto no Executivo, Martin McGuinness, de 65 anos, terão.

Ian Paisley e o ex-comandante do IRA chegaram a ter tal grau de cumplicidade que a imprensa os apelidou de "Irmãos Risadinhas", o que chegou a incomodar alguns setores do DUP.

Robinson quis reverter a situação e, embora a princípio tenham sido chamados de "Irmãos Risonhos", ambos acabaram sendo, mas do que amigos próximos, bons companheiros de trabalho.

Em seu primeiro discurso como líder do DUP, ela lembrou que o conflito "deixou cicatrizes" na história da Irlanda do Norte, mas se comprometeu a não deixar que elas "marquem nosso futuro".

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