Obama prepara discurso "não tradicional" para seu último Estado da União

Miriam Burgués.

Washington, 11 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, passou esta segunda-feira finalizando seu último discurso sobre o Estado da União, que fará amanhã no Congresso e que não será "tradicional" nem no conteúdo, nem na forma.

Obama passou uma "parte significativa" do fim de semana na preparação do pronunciamento, e hoje, sem atos públicos previstos e com uma agenda "flexível", também dedicou tempo a revisar detalhes, conforme disse em sua entrevista coletiva diária o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.

Em um vídeo divulgado na semana passada, Obama antecipou que seu último discurso sobre o Estado da União será mais voltado aos americanos em geral do que ao Congresso, porque ele quer falar à nação sobre "grandes temas" pendentes que garantirão um país "melhor, mais forte e mais próspero" para as futuras gerações.

Na mesma linha, Earnest disse nesta segunda que o presidente focará em "oportunidades e desafios que o país enfrenta" e em ressaltar que o "tipo de decisões" que será escolhido agora terá "um impacto significativo" nas futuras gerações de americanos.

O porta-voz destacou, além disso, que Obama "nunca foi tão otimista" sobre a "capacidade" dos americanos de enfrentar os desafios e "tirar o máximo proveito" das oportunidades presentes.

Em plena campanha para as eleições presidenciais de novembro, e às vésperas dos caucus (assembleias populares) de Iowa, que abrem o processo de eleições primárias, espera-se que Obama faça um discurso sobre o Estado da União mais "político" do que o habitual.

O presidente abordará, sem dúvida, as conquistas de seu mandato, que terminará em janeiro de 2017, e alegará que a melhor forma de preservar o que foi conseguido é escolher outro democrata no pleito de novembro.

Ao debater seu legado, é muito provável que Obama cite a recuperação econômica, impulsionada por uma notável queda do desemprego e pelo resgate da indústria do automóvel. Ele também deve ressaltar suas medidas contra a mudança climática, e em política externa, certamente haverá menções sobre o acordo nuclear com o Irã e a aproximação com Cuba.

Quanto às questões pendentes, é quase garantido que Obama voltará a apelar quanto à necessidade de um maior controle das armas de fogo, um assunto prioritário para ele nesta reta final de mandato, e a reiterar sua determinação em tentar fechar a prisão de Guantánamo antes de deixar a Casa Branca.

Sobre as prioridades legislativas para este ano, Earnest explicou hoje que Obama falará sobre a reforma do sistema de justiça penal, um assunto que conta com "um forte apoio bipartidário" no Congresso.

Além disso, o governante espera que os legisladores deem em breve os "passos" necessários para ratificar o Tratado Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), assinado por 12 países, entre eles EUA e Japão, em outubro.

O discurso deste ano será transmitido na plataforma de vídeo de Amazon e ao vivo no YouTube, segundo a Casa Branca, que se uniu nesta segunda-feira ao Snapchat, serviço que tem mais de 100 milhões de usuários diários, em sua maioria jovens, público com o qual a Casa Branca se conectou nestes últimos anos através de outras redes sociais como Facebook ou Twitter.

Assim como em 2015, Obama será entrevistado nesta sexta-feira por três celebridades no YouTube e responderá a perguntas de cidadãos sobre seu último discurso sobre o Estado da União.

Um refugiado sírio e um imigrante mexicano estarão entre os 23 convidados pela Casa Branca para presenciar o discurso no camarote da primeira-dama, Michelle Obama. O presidente decidiu também deixar um assento vazio nesse camarote em homenagem às vítimas da violência com armas de fogo.

Após o discurso desta terça-feira, o presidente manterá a tradição de visitar alguns estados do país e, desta vez, fará uma viagem de dois dias por Nebraska e Louisiana.

Neste ano, a responsável por fazer a réplica do Partido Republicano ao discurso sobre o Estado da União de Obama será a governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, e espera-se que os pré-candidatos à presidência por esta legenda também se pronunciem após o discurso.

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