Papa pede que medo seja vencido e que imigrantes continuem sendo recebidos

Cidade do Vaticano, 11 jan (EFE).- O papa Francisco pediu nesta segunda-feira que o "medo inevitável" envolvendo o atual fenômeno migratório seja vencido e que os refugiados continuem sendo acolhidos em todo mundo, durante discurso aos embaixadores credenciados junto à Santa Sé.

O pontífice lembrou que a imigração afetou principalmente a Europa ao longo de 2015, mas também diversas regiões da Ásia, assim como o norte e a região central da América.

"Queria refletir com os senhores sobre a grave emergência migratória que estamos enfrentando, para discernir suas causas, propor soluções e vencer o medo inevitável que acompanha um fenômeno tão consistente e imponente", disse o papa.

"Milhares de pessoas choram fugindo de guerras espantosas, de perseguições e de violações dos direitos humanos, da instabilidade política e social, que torna impossível a vida na própria pátria".

"Escapam da miséria extrema, ao não poder alimentar suas famílias nem ter acesso ao atendimento médico e à educação porque não têm nenhuma perspectiva de progresso (...). Dói constatar que, no entanto, frequentemente esses imigrantes não entram nos sistemas internacionais de proteção em virtude dos acordos internacionais", completou o pontífice.

O papa pediu a realização de planos a meio e longo prazo para que o problema não seja respondido apenas com uma proposta de emergência. "Devem servir para ajudar realmente à integração dos imigrantes nos países que os acolherem e, ao mesmo tempo, favorecer o desenvolvimento dos países de procedência".

A magnitude da chegada de refugiados, explicou Francisco, fez surgir várias dúvidas sobre as possibilidades reais de amparo e adaptação das pessoas. Entre elas, o papa citou os "temores sobre a segurança, exasperados pela ameaça do terrorismo internacional".

Diante do problema, o pontífice defendeu que os valores e os princípios da humanidade sejam mantidos. A receita de Francisco é "encontrar um justo equilíbrio entre o dever moral de proteger os direitos de seus cidadãos, por um lado, e por outro o de garantir a assistência e o amparo dos imigrantes".

Francisco também expressou sua gratidão por todas as iniciativas adotadas para facilitar uma chegada digna das pessoas, citando especialmente países próximos à Síria, como Líbano e Jordânia. Mas também lembrou os esforços de outros países que estão na "primeira linha", como Grécia e Turquia, além da Itália, "cujo firme compromisso salvou muitas vidas no Mediterrâneo".

"É importante que as nações que estão na primeira linha enfrentando a emergência atual não sejam deixadas a sós. E é igualmente indispensável que se inicie um diálogo franco e respeitoso entre todos os países envolvidos no problema", pediu o papa.

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