Ultradireitistas alemães causam distúrbios durante passeata islamofóbica

Berlim, 11 jan (EFE).- Cerca de 250 ultradireitistas provocaram distúrbios nesta segunda-feira na cidade alemã de Leipzig, coincidindo com uma marcha convocada pelo movimento islamofòbico "Pegida" e que esteve rodeada por alusões às agressões sexuais ocorridas na noite de Ano Novo em Colônia.

O grupo de radicais violentos, identificados pela polícia como hooligans de um clube de futebol local, se concentrou em um bairro periférico de Leipzig, considerado um bastião esquerdista.

Ali lançaram morteiros, pedras e outros objetos contra janelas, quebrando vidros e mobília urbana, até que a polícia conseguiu dispersá-los para controlar a situação.

Os distúrbios aconteceram em paralelo a duas manifestações, uma convocada por uma organização local irmanada com o islamofóbico Pegida - os autoproclamados Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente - e outra de tendência esquerdista.

O Pegida decidiu esta semana aderir a essa convocação em Leipzig, ao invés de sua habitual passeata de todas as segundas-feiras na cidade vizinha de Dresden, onde o movimento surgiu há pouco mais de um ano.

A marcha islamofóbica concentrou cerca de duas mil pessoas, enquanto a de tendência esquerdista foi acompanhada por 2.500 simpatizantes.

As concentrações em Leipzig acontecem em pleno clima de tensão política na Alemanha, após as agressões sexuais contra mulheres registradas em Colônia na noite de Ano Novo, atribuídas principalmente a estrangeiros, entre eles alguns refugiados.

Após o estupor por esses ataques e as centenas de denúncias apresentadas nos dias posteriores aconteceram também em Colônia no fim de semana passado vários ataques xenófobos, coordenados através das redes sociais como "resposta" a esses abusos.

Pelo menos dois paquistaneses e um sírio sofreram lesões nessa cidade alemã por causa desses ataques coordenados, cujos autores se reuniram com o propósito expresso de "atacar pessoas não alemãs", informou hoje o porta-voz policial, Norbert Wagner.

Seu objetivo, segundo as investigações em curso, era "fazer justiça com as próprias mãos" pelos incidentes no Ano Novo na estação central de trens de Colônia, onde até agora foram apresentadas 553 denúncias, 245 delas por delitos sexuais.

O ministro da Justiça da Alemanha, Heiko Maas, advertiu contra as tentativas dos neonazistas e outros grupos de extrema-direita de instrumentalizar esses incidentes pediu que não se deixe "campo livre a incendiários extremistas".

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