Deputado venezuelano rejeita afirmações que o vinculam a "El Chapo"

Caracas, 12 jan (EFE).- O deputado chavista Hugo Carvajal, ex-diretor de inteligência militar da Venezuela e acusado de vínculos com o tráfico de drogas pelos Estados Unidos, rejeitou nesta segunda-feira qualquer ligação com o líder do Cartel de Sinaloa, Joaquín "El Chapo" Guzman, que foi detido na última sexta-feira no México.

"Nego todas as acusações que existiram antes, que tentam me desprestigiar, e acima de mim, o governo do presidente (Hugo) Chávez e, depois, o do presidente (Nicolás) Maduro", disse Carvajal através de uma declaração escrita que a Agência Efe teve acesso.

O ex-chefe do serviço de inteligência militar do país sul-americano se referiu especialmente às afirmações divulgadas pelo jornal espanhol "ABC", segundo as quais o general venezuelano serviu como intermediário para concretizar uma entrevista com o traficante mexicano.

A publicação espanhola assegura que, sob a proteção de Carvajal, na cidade de Margarita, no estado de Nueva Esparta, aconteceu um encontro entre o ator americano Sean Penn e um dos filhos de Guzmán para estabelecer os contatos que levaram à entrevista publicada pela revista "Rolling Stone" no último sábado.

"Afirmo que nunca vi os indivíduos citados no artigo do jornal espanhol, nem os conheço, e que faz mais de um ano que não vou ao estado de Nueva Esparta", declarou o agora deputado no primeiro pronunciamento que faz desde que foi detido em Aruba no final de julho do ano passado, a pedido dos EUA, e depois libertado por decisão do governo holandês.

"A manipulação de informação suja, característica da DEA (agência antidrogas dos EUA) e de seus informantes ("ABC" da Espanha) não se sustenta após uma simples análise", disse o parlamentar, que detalhou vários elementos para negar as acusações contra si.

"Se o artigo escrito por Sean Penn para a revista Rolling Stone for lido com detalhe, é possível ver que, durante o percurso que o ator fez para se reunir com Guzmán no México, o mesmo não pisou em território venezuelano", indicou Carvajal, que acrescentou que "é evidente que Guzmán sempre esteve no México".

O militar venezuelano garantiu que o tempo de sua defesa pública "começou", que não tem "nada a esconder", mas que, "por razões óbvias" não poderá responder "sobre assuntos que comprometam a segurança nacional".

O parlamentar assegurou que não se vale de sua imunidade parlamentar para fazer essas declarações e lembrou que os dois terços que compõem a maioria qualificada da oposição no parlamento venezuelano precisam apenas "levantar a mão" para que ele perca "essa imunidade".

"Estou decidido a responder cada uma das agressões contra minha pessoa pela honra e respeito que o povo venezuelano merece", disse Carvajal.

Carvajal, designado em janeiro de 2014 pelo governo venezuelano como cônsul-geral em Aruba, foi detido na ilha a pedido dos EUA, que o acusam de ter mantido laços com tráfico de drogas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), algo que a Venezuela rejeitou em várias ocasiões.

Porta-vozes do Departamento de Estado dos EUA especularam que a libertação do ex-diretor de inteligência militar da Venezuela se deu depois que o governo sul-americano supostamente pressionou a Holanda.

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