"O jornalismo perdeu a seriedade e a influência que tinha", diz Vargas Llosa

Carmen Sigüenza

Madri, 12 jan (EFE).- O nobel de literatura Mario Vagas Llosa, que nesta terça-feira foi agraciado com o XII Prêmio Don Quixote de Jornalismo por um artigo sobre Cuzco publicado no jornal espanhol "El País" em 2015, considerou que o jornalismo "perdeu a seriedade e a influência que tinha".

Para Vargas Llosa, o jornalismo é tão importante como a literatura. "Comecei ao mesmo tempo minha vocação de escritor como a trabalhar no jornalismo, quando ainda estava no colégio", disse à Agência Efe.

O escritor garantiu que a maior mudança que a profissão sofreu é que "banalizou demais e se transformou em uma forma de entretenimento e diversão".

"Hoje existe uma grande tecnologia avançada -argumentou o escritor-, mas por outro lado se perdeu muito. Antes, o que os jornais diziam era uma verdade que era acatada e era um dos grandes instrumentos da cultura com o qual se contava".

"Hoje, salvo exceções de uma minoria que se interessa pelo jornalismo de investigação ou de opinião, o jornalismo é um instrumento de diversão", ressaltou o autor de "A festa do bode".

Para este romancista, dramaturgo e ensaísta, o jornalismo, o trabalho da atualidade, é "uma maneira de estar em dia, de intervir, criticar, elogiar e participar do debate público", além de uma das fontes "mais ricas" que teve para alimentar seu trabalho literário.

Vargas Llosa (Arequipa, Peru, 1936) obteve nesta terça-feira o prêmio Dom Quixote de Jornalismo, que é patrocinado pela empresa pública espanhola Tragsa e decidido pelo mesmo júri que concede os Prêmios Rei da Espanha, que são convocados anualmente pela Agência EFE e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional, do Ministério das Relações Exteriores.

Desta maneira, o trabalho dos profissionais do jornalismo da comunidade ibero-americana é reconhecido.

O artigo do escritor premiado hoje reivindica a mestiçagem entre a cultura andina e a hispânica e compara a convivência em Cuzco (sudeste do Peru) do quíchua puro com um espanhol elegante.

"Foi uma surpresa muito grata; escrevi o artigo há um ano justo por ocasião de uma viagem a Cuzco e nele dizia que o povo falava um espanhol cheio de toques arcaicos. É muito lindo ouvir, porque revivemos o que deve ter sido o espanhol da colônia de quatro séculos. É uma maneira de falar muito elegante, com frases longas e empoladas", adverte.

"É um velho espanhol que se conservou em Cuzco, sobretudo, por um setor social que se orgulha muito dessa maneira de falar".

"Cuzco é muito lindo e qualquer espanhol fica comovido muito porque a cidade serviu de base à cidade colonial, e foram todos os edifícios e monumentos incas os que dão a estrutura ao que foi a cidade antiga", disse.

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