ONU diz que centenas de pessoas devem ser retiradas imediatamente de Madaya

Nações Unidas, 11 jan (EFE).- Centenas de pessoas devem ser evacuadas imediatamente da cidade de Madaya, na Síria, para que possam receber atendimento médico, pois elas correm sério risco de morte, advertiu nesta segunda-feira a ONU.

As agências humanitárias, que conseguiram fazer com que um comboio com ajuda finalmente chegasse hoje nessa região sitiada, se depararam com cerca de 400 pessoas que devem sair de lá imediatamente para que possam ser tratadas, caso contrário, "correm sério risco de morte".

Essas foram as palavras do chefe humanitário das Nações Unidas, Stephen O'Brien, após uma reunião a portas fechadas com os membros do Conselho de Segurança convocada a pedido de Espanha e Nova Zelândia.

O embaixador espanhol na ONU, Román Oyarzun, explicou aos jornalistas que a situação dessas 400 pessoas é "muito crítica" e que se não foram evacuadas nesta mesma noite, o cenário será "ainda mais dramático amanhã", segundo as informações divulgadas pelos serviços humanitários.

Seu colega neozelandês, Gérard Van Bohemen, disse que as agências que operam no terreno querem permissão do governo da Síria para poder retirar essas pessoas da cidade.

Nos últimos dias, várias organizações humanitárias tinham denunciado a situação em Madaya, onde alertavam que a população corria o risco de morrer de fome.

A cidade, onde vivem cerca de 42 mil pessoas e que sofre o assédio do regime sírio e do Hezbollah há 180 dias, recebeu hoje os primeiros caminhões de uma caravana humanitária de aproximadamente 50 veículos, após meses sem qualquer assistência.

Isso aconteceu somente depois que Damasco autorizou a distribuição e, em paralelo, o envio de ajuda às localidades de Fua e Kefraya, de maioria xiita, que há meses estão sitiadas pela organização rebelde Frente al Nusra, que tem vínculos com a Al Qaeda.

Após a reunião do Conselho de Segurança, Oyarzun lembrou que o cerco que tem como objetivo causar fome entre a população é um "crime de guerra" e vai "contra a legislação internacional".

"Não podemos consentir com isso. Vamos seguir esse assunto muito de perto", garantiu o diplomata.

A embaixadora americana na ONU, Samantha Power, disse em comunicado que as informações que chegam sobre a crise de fome em Madaya e em outras regiões sitiadas são "horrendas".

"A ajuda entregue hoje, apesar de necessária, está muito longe de ser suficiente", disse Power, que também acusou o regime sírio de impedir reiteradamente o fornecimento de ajuda e pediu que a comunidade internacional aumente a pressão sobre Damasco.

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