Primeira-dama venezuelana acusa agência dos EUA de cometer sequestro no país

Caracas, 12 jan (EFE).- A primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores, assegurou nesta terça-feira que tem provas que a Agência Americana Antidrogas (DEA) cometeu delitos de sequestro relacionados com a detenção de seus familiares acusados e detidos por narcotráfico nos Estados Unidos.

"Nós esperamos ter mais elementos, mas está determinado e comprovado, temos provas disso e podemos dizer: a DEA esteve intrometida aqui em território venezuelano violentando nossa soberania", disse a esposa do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a jornalistas na sede do parlamento.

Com estas declarações, Flores, recém eleita deputada da Assembleia Nacional, falou hoje pela primeira vez da detenção de seus dois sobrinhos que foram presos em 10 de novembro do ano passado no Haiti e transferidos a Nova York por agentes da DEA sob acusações de narcotráfico.

Flores, a quem o chavismo prefere chamar de "primeira combatente", não admitiu nem negou a culpabilidade dos dois jovens que se encontram à espera de julgamento, mas insistiu que "a DEA cometeu delitos de sequestro e que, em todo caso, a defesa se encarregará de prová-lo".

"Temos elementos, temos a foto, sabemos quem são os funcionários da DEA que incorreram em crime aqui na Venezuela, neste caso que é de sequestro e vingança", destacou a deputada chavista, que não explicou como esta denúncia se relaciona com as acusação de narcotráfico que pesa sobre seus sobrinhos.

Isto, segundo a esposa de Maduro, faz parte de um ataque da "direita internacional" contra a chamada "revolução bolivariana", que aconteceu justamente quando o país começava a campanha eleitoral para as eleições legislativas.

No entanto, Flores que é uma dos 55 deputados que o chavismo conseguiu eleger nesses pleitos - um número que os transformou em minoria pela primeira vez em 15 anos -, garantiu que os que tentaram afetá-los "não alcançaram o objetivo".

Flores não quis responder mais perguntas alegando que estava impedida de oferecer mais detalhes por respeito ao processo que está em desenvolvimento, mas que "a defesa se encarregará de dar maiores elementos".

"Não queremos perturbar um processo onde nós temos provas do sequestro, da invasão da DEA em território venezuelano e do que foi o motivo que originou todo este caso", acrescentou.

Efraín Antonio Campo Flores e Francisco Flores de Freitas, que se identificaram como sobrinhos do casal presidencial venezuelano, foram transferidos a Nova York após sua detenção e são acusados de conspirar junto com outras pessoas para introduzir pelo menos cinco quilos de droga no país através de Honduras.

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