Candidatos republicanos à Casa Branca iniciam guerra em anúncios de campanha

Cristina García Casado.

Washington, 13 jan (EFE).- A menos de um mês do começo das primárias nos Estados Unidos, os 12 pré-candidatos republicanos intensificaram as campanhas para convencer os eleitores de que devem ser os indicados do partido, e deram início a uma verdadeira guerra de anúncios que ignora antigas amizades.

Nas propagandas divulgadas nos primeiros dias do ano, Jeb Bush atacou seu outrora pupilo Marco Rubio, senador pela Flórida, que fez o mesmo com Chris Christie, a quem a pouco tempo elogiava. Coube ao governador de Nova Jersey lembrar seus rivais de que a luta interna só beneficia a favorita entre os democratas, Hillary Clinton.

Junto com os ataques pessoais, dois temas concentram os anúncios republicanos: a firmeza para enfrentar a ameaça terrorista do Estado Islâmico (EI) e as promessas de pôr fim à imigração ilegal no país.

O magnata Donald Trump, que segue liderando as pesquisas, conseguiu falar sobre os dois assuntos nos 30 segundos de sua primeira propaganda televisiva de campanha, na última terça-feira.

No vídeo, polêmico como seu protagonista, Trump defende a ideia de proibir a entrada dos muçulmanos nos EUA e ilustra a proposta de construir um muro para conter a imigração procedente do México, com imagens da cerca de Melilha (Espanha), na fronteira com o Marrocos.

O senador Ted Cruz, em dura disputa com Trump nas pesquisas de Iowa e New Hampshire - os dois primeiros estados a votar nas primárias -, publicou no mesmo dia um anúncio intitulado "Invasão", no qual é possível ver pessoas com roupas de trabalho cruzando a fronteira entre EUA e México.

"A política seria muito diferente se um monte de advogados ou banqueiros cruzasse o Rio Grande. Ou se vários jornalistas graduados chegassem e reduzissem os salários da imprensa. Então, veríamos notícias sobre a calamidade econômica que está ocorrendo em nossa nação", diz o senador de origem republicana no vídeo.

Cruz lidera as pesquisas em Iowa, que abre o processo de primárias em fevereiro, à frente de Trump e com grande distância sobre Rubio, de acordo com as médias calculadas pelo site "Real Clear Politics", uma das referências no país.

Em New Hampshire, Trump é o primeiro colocado, seguido por Rubio, Cruz e Christie, algo que deu um novo fôlego à campanha do governador de Nova Jersey, que chegou a ficar de fora de alguns dos principais debates devido ao desempenho ruim nas pesquisas.

O renascimento de Christie provocou uma reação de um super PAC (Comitê de Ação Política) que apoia Rubio, que divulgou dois duros anúncios nos quais questionam o perfil conservador e a gestão do adversário no governo de Nova Jersey.

Em um dos vídeos, batizado de "Favorite" (Favorito), Christie é apresentado como o governador republicano favorito do presidente Barack Obama e mostra uma foto que persegue o político conservador: seu abraço no líder democrata após o furacão Sandy em 2012.

A necessidade de se distanciar dos rivais fez com que alguns apelassem para a religião. Marco Rubio publicou um anúncio no qual explica como o cristianismo o guia em todos os aspectos de sua vida, apesar de evitar mencionar que é católico.

Rubio disputa em Iowa os votos dos cristãos protestantes evangélicos com Cruz, que se beneficiou da queda da popularidade do neurocirurgião aposentado Ben Carson entre o grupo.

Trump, conhecido por criticar tudo e todos, questionou recentemente que Cruz - membro de uma Igreja Batista - seja um verdadeiro evangélico por sua origem cubana. "É bom lembrar que, segundo tenho entendido, não chegam muitos evangélicos de Cuba", disse o magnata em um comício em Iowa.

Os ataques pessoais continuarão com a proximidade do início das primárias, previu à Agência Efe Jason Marczak, analista em campanhas políticas e diretor do Adrienne Arsht Center para a América Latina do Atlantic Council em Washington.

"No começo eles tinham medo, exceto Trump, para parecerem presidenciáveis. Mas agora estão nervosos sobre o que vai ocorrer nas próximas semanas e recorrem aos ataques pessoais para deslegitimar outros candidatos", explica o analista.

Até agora, os concorrentes democratas evitaram iniciar uma guerra de anúncios similar à de seus rivais conservadores.

"O Partido Democrata está mais unido. Hillary Clinton e Bernie Sanders têm perspectivas diferentes em políticas públicas, mas são unidos pela mesma visão de partido. Isso não ocorre no lado republicano", afirma Marczak.

Os democratas, além disso, têm só três candidatos para as primárias que começam em fevereiro, contra os 12 republicanos. Hillary aparece como a grande favorita, com o Sanders, senador por Vermont, na segunda posição, e Martin O'Malley, ex-governador de Maryland, na sequência, com quase nenhum apoio nas pesquisas.

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