EUA negam ter se desculpado com Irã para conseguir libertação de marinheiros

Em Washington

  • IRIB News Agency via AP

Os Estados Unidos negaram nesta quarta-feira (13) ter se desculpado com o Irã por ingressar em suas águas territoriais para conseguir a libertação dos dez marinheiros americanos detidos ontem, e consideraram que a rápida resolução do episódio evidencia a distensão entre Washington e Teerã após o acordo nuclear.

"Não há absolutamente nada de certo nos rumores de que (o secretário de Estado) John Kerry se desculpou com o Irã sobre os marinheiros. Não havia nada pelo que desculpar-se", garantiu o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, em sua conta oficial no Twitter.

Segundo as autoridades iranianas, a retenção no Irã de dois navios de guerra americanos e seus tripulantes por entrar em suas águas territoriais se resolveu simplesmente com um pedido de desculpas dos EUA e a promessa de não voltar a cometer erros deste tipo.

Outro porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, reiterou que não houve um pedido de desculpas oficial do governo americano e que este "não é necessário", porque o assunto "se resolveu profissionalmente".

"Kerry respondeu muito rapidamente ao Irã, lhes deu detalhes da situação", afirmou Toner em sua entrevista coletiva diária.

O Pentágono não indicou ainda qual foi a causa que levou as duas embarcações a entrarem em águas territoriais iranianas, e assinalou apenas que averiguará essas circunstâncias.

Toner sugeriu que poderia tratar-se de uma falha mecânica em um dos navios, mas, segundo alguns meios de comunicação americanos, o Pentágono parece ter descartado essa hipótese devido ao fato de que os barcos retornaram à custódia americana por si sós.

Kerry, por sua parte, agradeceu hoje às autoridades iranianas sua "cooperação e rápida resposta" ao incidente, ao lembrar que esses tipos de situações são "suscetíveis de ficar de fora de controle se não forem manejadas adequadamente".

"Todas as indicações sugerem ou indicam que nossos marinheiros foram bem tratados, que receberam cobertores e comida, além de auxílio em seu retorno à frota", disse Kerry em discurso na Universidade Nacional de Defesa dos EUA, situada em Washington.

"Acredito que todos podemos imaginar como se poderia ter desenvolvido uma situação similar há três ou quatro anos. De fato, está claro que o que aconteceu hoje é um testamento do papel crucial desempenhado pela diplomacia na hora de manter nosso país seguro e forte", ponderou Kerry.

O titular das Relações Exteriores lembrou que os Estados Unidos e Irã estavam há "35 anos" sem falar-se e agora, após o acordo internacional alcançado em 2015 sobre o programa nuclear de Teerã, estão "fazendo avanços em várias áreas da diplomacia econômica, assim como da diplomacia estritamente de segurança".

Por sua vez, Toner ressaltou que a veloz resolução do incidente é uma mostra das "linhas de comunicação que se abriram durante as negociações" nucleares, que permitiram que Kerry se comunicasse diretamente com seu homólogo iraniano, Mohamad Javad Zarif, após informar-se do problema.

O porta-voz destacou que o incidente não afetará à aplicação do acordo nuclear, pouco depois de Kerry ter assegurado que o Irã pode começar a receber um alívio de sanções dos EUA e da União Europeia "muito em breve, provavelmente nos próximos dias".

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