Hospital de cidade sitiada na Síria prepara evacuação de seus pacientes

Susana Samhan

Beirute, 13 jan (EFE).- O único hospital da cidade síria de Madaya prepara nesta quarta-feira a evacuação amanhã ou na sexta-feira de cerca de 400 pacientes que precisam de atendimento médico urgente após meses nos quais não puderam ser tratados de forma adequada pela falta de remédios.

O anestesista desse centro médico, Khaled Mohammed, disse à Agência Efe por telefone que está previsto que os pacientes sejam transferidos a um hospital de Damasco.

"Nós tratamos aqui de 200 pacientes, dos quais 11 se encontram em estado grave, os demais estão em suas casas pela falta de espaço", detalhou o médico.

Madaya sofre desde julho do ano passado um cerco imposto pelo exército sírio e seu aliado, o grupo xiita libanês Hezbollah, que foi intensificado em outubro.

Desde esse mês não tinha entrado nem comida nem remédios nesta cidade próxima à fronteira com o Líbano até que na segunda-feira um comboio humanitário organizado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a ONU e o Crescente Vermelho Síria chegou a seu interior.

Mohammed destacou que o hospital de Madaya trata vários casos de desnutrição; de fato, desde 1º de dezembro de 2015 morreram 28 pessoas, segundo dados da Médicos sem Fronteiras.

O anestesista acrescentou que não há feridos por bombardeios e combates, porque há três meses eles não acontecem.

Este centro, que abriu suas portas em 2011, só dispõe de dez quartos e oferece atendimento sanitário aos 42.000 habitantes da cidade.

"No hospital trabalhamos quatro médicos - um ginecologista, um pediatra, um clínico geral e um anestesista - e quatro enfermeiras", relatou Mohammed.

A escassez de equipamento e remédios devido ao cerco não impede que os médicos realizem operações cirúrgicas.

O hospital dispõe de uma seção de pediatria, urgências, uma sala de cirurgia e um laboratório com o básico para efetuar diagnoses.

Na segunda-feira entraram remédios com o comboio humanitário, embora Mohammed destaque que necessitam de muitos mais.

A ONU e o CICV anteciparam que uma nova carga com comida, remédios e produtos básicos entrará em breve em Madaya.

"Horrível", "dilaceradora" e "desastrosa", foram alguns dos adjetivos empregados nos últimos dias pelos responsáveis destas organizações para descrever a situação em Madaya, onde seus moradores se viram obrigados a comer folhas das árvores pela escassez, segundo denunciaram ativistas.

O chefe humanitário da ONU, Stephen O'Brien, advertiu esta semana após uma reunião do Conselho de Segurança que centenas de pessoas deviam ser evacuadas imediatamente dessa cidade para receber atendimento médico, ou poderiam morrer.

Por enquanto, só saíram de Madaya 300 civis devido a um acordo entre o governo sírio e os grupos armados que operam na cidade, segundo confirmou hoje à Agência Efe uma porta-voz do Hezbollah.

A fonte afirmou que 80 dos 300 civis se uniram às fileiras do exército sírio após abandonar a cidade, e que não há nenhum ferido.

Ontem, o Observatório Sírio de Direitos Humanos informou da evacuação de 300 pessoas de Madaya, mas isso não foi corroborado por nenhuma das organizações que participaram do comboio humanitário.

A porta-voz do Hezbollah descartou que o acordo de Madaya seja similar ao alcançado no mês passado na cidade vizinha de Al Zabadani, "porque nessa ocasião se tratou de uma troca, e agora não houve troca".

Em dezembro, as autoridades sírias e o grupo libanês alcançaram um pacto com as facções armadas que se encontravam em Al Zabadani pelo qual foram evacuados mais de 700 civis e combatentes opositores de seu interior, em troca da saída de 300 pessoas dos povoados sitiados de maioria xiita de Fua e Kefraya.

Precisamente nessas duas localidades, que estão cercadas há meses pela Frente al Nusra, filial síria da Al Qaeda, entrou assistência há dois dias, em paralelo a Madaya, e se espera a próxima chegada de uma nova carga.

O CICV instou hoje em comunicado o fim de todos os cercos na Síria, o que considera como "um assunto de urgência", já que as necessidades humanitárias precisam ser atendidas "com diligência".

A ONU calcula que 4,5 milhões de sírios vivem em áreas de difícil acesso, dos quais 400 mil vivem em áreas sitiadas.

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