"Charlie Hebdo" cria nova polêmica com charge sobre menino refugiado morto

Paris, 14 jan (EFE).- A revista francesa "Charlie Hebdo", onde 12 pessoas morreram durante um ataque a sua redação em represália por caricaturas do profeta Maomé em janeiro do ano passado, semeou mais polêmica esta semana com uma charge sobre a morte do pequeno Aylan Kurdi e a crise dos refugiados.

Laurent Sourisseau "Riss", caricaturista e diretor da publicação, aproveita o recente alerta pelos abusos sexuais e roubos maciços registrados na noite de Ano Novo na Alemanha, entre cujos supostos autores há solicitantes de asilo, para imaginar o hipotético futuro da menino sírio caso sua viagem à Europa tivesse sido bem sucedida.

"No que teria se transformado o pequeno Aylan se ele tivesse crescido? Apalpador de bundas na Alemanha", assinala o desenho, no qual se vê uma imagem do menino afogado em setembro do ano passado nas praias da Turquia junto à de um par de jovens perseguindo meninas.

As redes sociais se encheram esta semana de críticas contra essa charge, nas quais vários internautas, franceses e de outras nacionalidades, disseram não entender o sentido da ilustração e acusaram a revista satírica de racismo.

As brincadeiras da revista sobre Aylan já tinham causado em setembro do ano passado um outro escândalo, depois que parodiou a imagem do menino, de três anos.

"A prova de que a Europa é cristã. Os cristãos caminham sobre as águas e as crianças muçulmanas se afogam", dizia então o texto de uma charge também assinada por Riss, atual diretor da revista após o assassinato de seu antecessor, Stépahne Charbonnier "Charb" no ataque jihadista de um ano atrás.

Esta nova sátira, no entanto, encontrou também defensores que mencionam o particular humor da publicação.

"E agora as pessoas descobrem que na 'Charlie Hebdo' o humor pode ser negro e de mau gosto", ironizou um internauta, enquanto outros elogiaram sua forma de denunciar "com força" o racismo contra os refugiados.

Em seu editorial do último dia 4 de janeiro, com o qual a revista lembrou o primeiro aniversário da tragédia, Riss já havia comentado que "a morte sempre fez parte da publicação", em primeiro lugar porque estava ameaçada de fechar por razões econômicas.

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