China vê com receio mudança em Taiwan e teme piora de relações bilaterais

Pequim, 14 jan (EFE).- A China olha com muito receio a iminente vitória do Partido Democrata Progressista (PDP) nas eleições deste sábado em Taiwan, pois teme uma piora da relação entre os dois países, mesmo que tenha certeza de que não haverá uma declaração formal de independência da ilha.

A candidata à presidência pelo PDP, Tsai Ing-wen, é a favorita com grande diferença para o segundo colocado em todas as pesquisas. Embora nada sugira que possa haver uma declaração de independência, Pequim prevê uma piora nas relações bilaterais, que estão em seu melhor nível desde o cisma de 1949, já que a legenda defende que Taiwan se mantenha separado da China.

A atual boa relação ficou simbolizada pela histórica reunião entre os presidentes Xi Jinping (China) e Ma Jing-Yeou (Taiwan), em 7 de novembro em Cingapura, a primeira desde a ruptura. No entanto, não parece que esse encontro tenha ajudado o partido governante, Kuomingtang (KMT), favorável a uma relação mais próxima com Pequim.

Em parte pelos últimos anos, "na China há uma preocupação legítima" com o resultado da eleição, afirmou Shelley Rigger, catedrática de Estudos Chineses da Universidade Brown (EUA), em uma recente conversa com jornalistas em Pequim.

Além da vitória de Tsai, que é dada como certa, o PDP pode conseguir sua primeira maioria no parlamento (até agora sempre controlado pelo KMT). Pequim já "se resignou" com esse resultado, afirmou Rigger.

Esta inevitável mudança de orientação no governo de Taipé trará, de forma também quase ineludível, mudanças na atual relação com Pequim, que é alvo de muitas críticas feitas a Ma.

No entanto, os analistas consultados confiam que ambas as partes poderão conduzir esse novo cenário sem chegar a ter maiores problemas, mesmo com a China não descartando, oficialmente, uma invasão militar em caso de declaração independentista.

Para Wang Dong, professor da Escola de Relações Internacionais da Universidade de Pequim, os laços entre os dois países "poderão se desenvolver pacificamente com qualquer resultado" eleitoral.

No entanto, Wang advertiu que, "mesmo que ganhe, Tsai não poderá ir contra a história" e a aproximação dos últimos anos.

Apesar de o PDP ter moderado muito sua retórica independentista desde o mandato do presidente Chen Shui-bian (2000-2008), Pequim espera que Tsai mantenha o atual status através de algum tipo de equilíbrio em suas declarações públicas.

"A posição de Pequim é muito clara: é preciso manter o 'consenso de 1992", que estipula que há só "uma China", mesmo se ambas as partes estiverem em desacordo sobre sua interpretação, disse à Agência Efe Jin Cairong, professor de Política da Universidade Renmin, em Pequim.

O governo chinês, com o presidente Xi à frente, apostou muito na reunião de novembro com Ma, apesar de o ainda líder taiuanês ser cada vez mais impopular na ilha e de o encontro não parecer ter influenciado o futuro resultado.

"O encontro entre a parte continental e Taiwan teve valor histórico", avaliou Wang, usando a terminologia habitual na China, sem dar um nível de igualdade às partes, pois continua a considerar a ilha uma província rebelde.

Por tudo isso, os dirigentes chineses confiam que os Estados Unidos (que garante a segurança da ilha no caso de uma hipotética ação militar de Pequim) exerça uma influência moderadora, se for necessário.

"O separatismo não responde ao interesse dos EUA, portanto a atitude de Washington é sincera", assegurou Jin. Para Rigger, "a China espera que haverá algum tipo de orientação dos Estados Unidos" para ajudar um governo do PDP a colocar suas políticas em direção a Pequim de uma forma que mantenha o tom positivo da atual relação.

O afastamento emocional da população taiuanesa da China se intensificou nos últimos dois anos após a tentativa de Pequim de reformar a lei eleitoral de Hong Kong, que foi rejeitada pelo parlamento daquele território após um grande movimento popular de protesto.

"Hong Kong é um dos elementos que o povo de Taiwan vê como prova de que se ligar à China demais é arriscado", afirmou Rigger.

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