Chu Li-luan, um candidato muito capacitado destinado à derrota em Taiwan

Taipé, 14 jan (EFE).- Eric Chu Li-luan, um dos líderes mais carismáticos do partido Kuomintang (KMT), tem excelentes credenciais acadêmicas e executivas, e conseguiu aproximar diferentes alas de seu partido, embora tudo isso pareça insuficiente para ganhar as eleições presidenciais deste sábado em Taiwan.

O desprestígio da gestão governamental do KMT, em um difícil entorno econômico internacional, se une ao mal-estar entre jovens e grupos populares pela aproximação econômica e social à China e pela divisão em seu partido.

Nascido em uma família de políticos do KMT, Chu preside aos 54 anos essa legenda em um momento de forte divisão entre a ala mais próxima à China, que é liderada pelo presidente Ma Ying-jeou, e a ala taiuanesa, do presidente do parlamento, Wang Jin-pyng.

Além de liderar o Kuomintang, cargo no qual sucedeu o presidente Ma, Chu é prefeito de Nova Taipé desde 2010 e foi vice-primeiro-ministro (2009-2010), deputado (1999 a 2001) e prefeito do distrito de Taoyuan (2001 a 2009).

Sua personalidade razoável, conciliadoda e pragmática ganhou o voto de muitos moderados nas eleições municipais, e sua gestão recebeu geralmente boas críticas.

No plano acadêmico, Chu é mestre em Finanças e doutor em Contabilidade pela Universidade de Nova York e tem experiência docente em universidades da ilha.

Os baixos índices de popularidade do atual presidente Ma Ying-jeou e de seu governo e as dissensões no KMT influenciaram para que ele esteja muito atrás da candidata do Partido Democrata Progressista, Tsai Ing-wen, em todas as pesquisas.

Além disso, Chu só chegou à campanha em meados de outubro, substituindo Hung Hsiu-Chu, que por seu radicalismo pró-China foi afastada do cargo que ninguém mais queria assumir por uma previsível derrota.

Apesar disso, Chu se esforçou em fazer valer a vantagem de seu partido na administração dos laços com a China, baseados no "Consenso de 1992" ("Uma China com duas interpretações") e sua ampla experiência com Pequim.

Em vários pontos, Chu se afastou do presidente Ma Ying-jeou, tentando oferecer uma face mais favorável à identidade taiuanesa, como por exemplo na exigência de maior controle do investimento chinês na ilha e na promessa de um aumento substancial do salário mínimo.

Chu representa um rosto moderado do KMT e aparece como uma mudança estável, que conta com o apoio do empresariado e a aceitação da China, mas comprometido com a defesa da identidade taiuanesa e dos interesses populares.

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