Polícia indonésia aponta que atentado com 7 mortos pode ser obra do EI

Bangcoc, 14 jan (EFE).- Sete pessoas, entre elas cinco agressores, morreram nesta quinta-feira e outras 20 ficaram feridas em um ataque com explosivos seguido de um tiroteio em Jacarta, em uma ação terrorista que a polícia atribui a grupos vinculados ao Estado Islâmico (EI).

O atentado aconteceu no bairro de Jalan Thamrin, uma cêntrica zona da capital onde estão vários hotéis e restaurantes frequentados por estrangeiros, os escritórios da ONU e nas cercanias do palácio presidencial.

O ataque começou de manhã, com uma primeira deflagração diante de uma loja da rede Starbucks, perto de um posto de polícia, que deu início a um intenso tiroteio seguido por outra explosão.

A troca de tiros continuou em um cinema situado no centro comercial Sarinah, onde se esconderam vários agressores até que morreram pelas mãos da polícia horas mais tarde.

Três dos agressores morreram no tiroteio, enquanto os outros dois faleceram após detonarem a bomba que levavam na motocicleta com a qual se lançaram contra o posto da polícia, indicou o chefe policial, Tito Karnavian.

Karnavian explicou que na ação morreram dois civis, entre eles um estrangeiro, que não teve a nacionalidade confirmada, enquanto 20 pessoas ficaram feridas, incluídos cinco agentes.

Desde Genebra, a ONU informou que um trabalhador holandês do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que oferece apoio ao governo indonésio para combater os incêndios florestais, ficou "gravemente ferido".

A Indonésia permanecia em alerta por risco de um possível ataque contra as autoridades e em lugares frequentados por estrangeiros.

Depois que durante todo o dia as autoridades evitaram especular sobre a autoria do atentado, na última hora da tarde Karnavian confirmou a responsabilidade do EI no ataque.

O agente explicou que a ação foi orquestrada por Bahrun Naeem, um indonésio detido e preso em várias ocasiões ao qual as autoridades do país asiático situam na Síria, onde estaria combatendo com o EI.

"Bahrun Naeem quer estabelecer o EI e quer ser teu líder no Sudeste Asiático", disse Karnavian em entrevista coletiva.

Antes, o subchefe da polícia, Budi Gunawan, explicou que as suspeitas se centram em um grupo com bas no centro da ilha de Java.

"Sabemos que o grupo deu seu apoio ao EI e que manteve contatos na Síria durante algum tempo", disse Gunawan.

O responsável acrescentou que a polícia teve conhecimento em dezembro que este grupo planejava atentar durante a celebração do Fim de Ano, na qual ameaçou com um "grande concerto de bombas", mas que o forte desdobramento de segurança impediu que este fosse realizado.

O presidente indonésio, Joko Widodo, condenou o ataque e pediu que evitem especular os responsáveis até que termine a investigação oficial, em declarações que fez enquanto visitava Java Ocidental.

"Estamos aflitos pelas pessoas mortas neste incidente mas condenamos este ato que alterou a segurança e a paz, e causou terror entre nossa gente", disse em declarações recolhidas pela "Metro TV".

"Nossa nação e nossa gente não devem ter medo, não seremos derrotados por estes atos de terror", acrescentou o líder que retornou a Jacarta e pela tarde visitou a zona do atentado.

Por causa do atentado, Cingapura e Malásia elevaram o nível de alerta por ameaça terrorista, e reforçaram a segurança em espaços públicos e nos postos fronteiriços para prevenir uma possível infiltração de terroristas.

País com mais muçulmanos do mundo, onde 88% de seus 250 milhões de moradores professam esta religião, a Indonésia sofreu entre 2000 e 2009 vários atentados perpetrados pela Yemma Islamiya, considerado o braço da Al Qaeda no Sudeste Asiático.

O ataque de maior envergadura ocorreu em 2002 na ilha de Bali, quando a explosão coordenada de várias bombas em uma boate da turística cidade de Kuta deixou 202 mortos, em sua maioria visitantes australianos.

O último atentado registrado em Jacarta ocorreu 2009 quando dois suicidas se imolaram nos hotéis Marriott e Ritz-Carlton deixando outros sete mortos e 50 feridos.

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