Taiwan está diante de eleição que será chave de seu futuro político

Francisco Luis Pérez.

Taipé, 14 jan (EFE).- Taiwan terá eleições presidenciais e legislativas neste sábado que podem provocar uma mudança radical na política interna e nos laços com a China, diante da clara vantagem nas pesquisas do Partido Democrata Progressista (PDP), de caráter independentista.

Sob os olhares atentos de China e Estados Unidos, a candidata do PDP, Tsai Ing-wen, parte para o pleito como grande favorita contra o candidato da legenda governista Kuomintang (KMT), Eric Chu, em um ambiente de insatisfação generalizada com o governo e preocupação popular com a economia.

Tsai tem 20 pontos de vantagem nas principais pesquisas (em média 25% a 45%), e algumas inclusive a colocam com mais da metade dos votos. As pesquisas também apontam que o PDP pode também conseguir a maioria absoluta no parlamento, que sempre esteve sob controle do KMT desde a criação do país, em 1949.

O KMT, partidário de uma eventual união com a China em democracia e liberdade, protagonista de uma aproximação econômica e social com a China que começou em 2008, com a assinatura de 23 acordos e uma reunião entre os presidentes Ma Ying-jeou e Xi Jinping em 7 de novembro, está em crise.

O mal-estar pela aproximação com a China e a insatisfação com o governo no que diz respeito a economia e segurança alimentar, criou para a oposição independentista chances reais de ganhar a presidência e a maioria absoluta no parlamento.

No entanto, a campanha não teve foco na China, e sim na economia, com o governo defendendo os laços com Pequim - e, com seu consenso, a participação na integração econômica regional -, e o PDP prometendo melhor distribuição de renda, bem-estar social e aumento de salários.

Em uma recente pesquisa do instituto Taiwan Brain Trust sobre qual deveria ser a meta prioritária do novo governo, 62,9% dos taiuaneses optou pelo desenvolvimento econômico, só 5,9% pelos laços com a China e apenas 4,7% pelo status internacional.

As políticas do KMT tradicionalmente favoreceram as grandes empresas, muitas delas com fortes interesses na China, enquanto o PDP receia os grandes capitais e se apresenta como defensor do pequeno empresário e do cidadão das ruas.

Taiwan dispõe de uma macroeconomia sólida, com um Produto Interno Bruto per capita de US$ 44.976 (R$ 180 mil) em 2015, e uma taxa de desemprego de 3,84%; mas a população se queixa do alto preço dos imóveis e dos baixos salários, e o descontentamento com o KMT é maior entre os jovens.

"A aproximação com a China só favorece as grandes empresas, mas para as pessoas nas ruas significa preços mais altos nos imóveis e maior concorrência", explicou à Agência Efe, Amberly Cheng, uma jovem de 28 anos.

Os resultados desta eleição impactarão os laços da ilha com os Estados Unidos e com a China, com quem mantém uma disputa de soberania desde 1949.

"A política de aproximação do atual presidente Ma Ying-jeou, que alcançou o ápice no encontro com Xi Jinping em novembro, girará em torno das tensões, da desaceleração dos contatos econômicos e da concorrência diplomática", disse Bai Fangji, professor de Relações Internacionais da Universidade Tamkang, à Efe.

A mudança social em Taiwan nos últimos anos foi rápida e profunda, impulsionada pelos jovens e com uma significa queda da identificação de seus cidadãos como chineses - nas últimas pesquisas, apenas 6,1% da população se classificou como chinesa, ante 87% que se declarou taiuanesa.

Sobre o dilema da unificação ou da independência, uma recente pesquisa revelou que 61,4% dos taiuaneses são a favor da independência, contra 12,3% que querem a unificação, o que evidencia que a grande maioria que deseja a separação permanente da China é jovem.

A intervenção chinesa em Hong Kong, impedindo as eleições livres para o governo local, preocupou ainda mais os taiuaneses, especialmente entre essa faixa etária.

"Não tenho medo de um ataque chinês. Precisamos de mais aproximação com os Estados Unidos e mais distância de Pequim. Não quero que Taiwan se transforme em outra Hong Kong", disse Yun Zhen, uma jovem profissional.

Taiwan e China estão em rota de colisão, em um cenário em que Pequim acumula cada vez mais poder estratégico e econômico, enquanto a ilha consolida sua identidade separada, sua democratização e sua insensibilidade à ameaça militar.

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