Recuperação agrícola será difícil enquanto houver ebola na África, diz FAO

Roma, 15 jan (EFE).- É muito difícil que as economias dos países do oeste da África mais afetados pela epidemia do ebola se recuperem enquanto houver novos casos de infectados pelo vírus, disse nesta sexta-feira à Agência Efe Jean Senahoun, economista da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou ontem o fim do surto na África Ocidental, apesar de hoje ter se confirmado a morte de uma mulher por ebola no norte de Serra Leoa.

"É muito má notícia que volte a haver casos", segundo Senahoun, já que isto impede também a recuperação das economias locais, incluído o setor primário, pelo medo da doença e por seu impacto nos mercados.

O especialista considerou "importante" que um país declare estar livre de ebola antes que a atividade econômica seja retomada, entre outras coisas para permitir a volta dos investidores.

Como medida de precaução para evitar contágios durante a crise, os contatos entre a população foram drasticamente reduzidos, o que levou à interrupção do comércio na região e inclusive no fechamento de fronteiras.

A epidemia impactou negativamente todas as atividades dos países mais afetados - Guiné, Libéria e Serra Leoa, impedindo "muitos agricultores de produzir por falta de mão de obra e de comércio", apontou o analista.

No final de 2014, coincidindo com o pico da crise, calcula-se que ao redor de meio milhão de pessoas sofreram insegurança alimentar grave pelo impacto do ebola nesses três países.

Por causa da estigmatização e das quarentenas, as famílias afetadas tiveram colheitas menores e viram reduzidos seu poder aquisitivo e seu acesso aos alimentos, segundo a FAO, que desdobrou recursos para proporcionar informação confiável sobre a crise e ajudar os agricultores.

"A Libéria foi o país mais afetado porque o vírus se espalhou com grande intensidade no período crítico do ciclo da colheita, e pelo que vi ali a produção de alimentos caiu 12% em 2014, enquanto em Serra Leoa 8% e na Guiné 4%", lembrou.

A epidemia, declarada em março de 2014 (os primeiros casos remontam a dezembro de 2013) registrou 28.500 contaminações e 11.300 mortes, números que a OMS reconheceu que podem ser menores do que a realidade.

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