Unicef confirma 22 casos de desnutrição em crianças abaixo de 5 anos na Síria

Damasco, 15 jan (EFE).- O Fundo para a Infância das Nações Unidas (Unicef) confirmou nesta sexta-feira que há 22 casos de desnutrição em crianças com menos de cinco anos na cidade de Madaya, na Síria.

Em comunicado, a representante do organismo na Síria, Hanaa Singer, afirmou que entre esses casos há crianças com desnutrição moderada e grave.

Todas elas estão recebendo tratamento graças aos equipamentos médicos e provisões nutricionais distribuídos pela ONU, pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e pelo Crescente Vermelho no comboio humanitário que entrou na cidade assediada na segunda-feira.

Singer acrescentou que a equipe do Unicef e da Organização Mundial da Saúde (OMS) trasladado a Madaya examinou, além disso, outras dez crianças e adolescentes entre seis e 18 anos, e seis mostraram sintomas de desnutrição grave.

"Um menino de 17 anos está em risco de morrer e precisa desesperadamente de um resgate médico imediato", indicou Singer, que destacou que também há uma grávida de nove meses que precisa ser retirada urgentemente.

Duas caravanas humanitárias entraram esta semana em Madaya, que sofre desde julho do ano passado um cerco imposto pelo exército sírio e seu aliado, o grupo xiita libanês Hezbollah, que foi intensificado em outubro.

"O Unicef se entristece especialmente e está comovido após testemunhar a morte de Ali, um adolescente de 16 anos com desnutrição aguda que morreu na clínica da cidade diante de nossos olhos", apontou a responsável internacional.

Singer advertiu, no entanto, que esses casos não são uma amostra representativa das condições gerais em Madaya, e que ainda é cedo para tirar conclusões, por isso a ONU e o Crescente Vermelho sírio continuarão a avaliar a situação no domingo.

Singer ressaltou que as pessoas que encontraram em Madaya estão "exaustas e em um estado extremamente frágil".

"Os médicos estão emocionalmente angustiados e consumidos mentalmente, trabalhando 24 horas por dia com recursos limitados para proporcionar tratamento as crianças e as pessoas que necessitam", disse.

"É simplesmente inaceitável que isto ocorra no século XXI", acrescentou.

Apesar da agência da ONU estar particularmente comovida com a situação nessa cidade, o responsável do Unicef lembrou que na Síria "há outras 14 'Madayas".

De fato, oUnicef tomou parte esta semana nos comboios humanitários enviados às cidades de maioria xiita de Fua e Kefraya, cercados pela Frente al Nusra, filial síria da Al Qaeda, onde "calcula-se que há seis mil crianças isoladas".

"O Unicef reiterou seus pedidos anteriores a todas as partes do conflito para que suspendam os assédios a comunidades na Síria e permitam um acesso sem impedimentos, incondicional e constante às equipes (humanitárias)", cobrou Singer.

ssa-gb/cd

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