Franceses se unem para nacionalizar "herói" argelino do Bataclan

Paris, 16 jan (EFE).- Mais de 30.500 pessoas já respaldaram na plataforma Change o pedido que reivindica a nacionalidade francesa para um vigilante argelino da casa de shows Bataclan, que no último dia 13 de novembro foi um dos alvos dos atentados jihadistas de Paris, com 90 mortos.

A solicitação, dirigida ao presidente francês, François Hollande, foi lançada em dezembro pelo vice-presidente do Conselho Representativo de Associações Negras (CRAN), Thiaba Bruni.

O texto defende que esse homem, de 35 anos e conhecido como Didi, que trabalhava como vigilante nessa casa de shows há dez anos, salvou dezenas de vidas com seu sangue frio.

"Poderia ter fugido ao ouvir os disparos, porque estava do lado de fora, na frente das cercas, falando com alguns clientes, mas decidiu entrar para alertar as pessoas e guiá-las para as saídas de emergência", acrescentou.

O homem chegou à França aos seis meses de idade e, segundo seus defensores, "é injusto que tenha sido esquecido pela maioria dos meios de comunicação e também por responsáveis políticos".

O apoio recebido ganhou maior visibilidade depois que o governo tentou em dezembro reforçar a eficácia do combate antiterrorista com a adoção de um projeto de lei que prevê inscrever na Constituição o estado de emergência e retirar a nacionalidade dos binacionais condenados por terrorismo.

"É essencial dar aos jovens da França exemplos positivos com os quais possam identificar-se, algo que demonstraria a vontade do Estado de pôr fim à estigmatização de certa categoria de cidadãos", assinala o pedido.

Distinguir Didi, em sua opinião, contribuiria para calar "aqueles que tentam instrumentalizar os trágicos eventos de novembro se prestando a amálgamas insuportáveis para reduzir a terroristas os muçulmanos da França".

Em 20 de janeiro de 2015, Lassana Bathily, malinês de confissão muçulmana que conseguiu esconder em uma câmara frigorífica seis clientes de um supermercado judeu de Paris atacado naquele mês por um terrorista, recebeu a nacionalidade francesa.

O pedido lançado em seu favor conseguiu o apoio de mais de 460.000 pessoas.

O novo "herói modesto" da França afirmou hoje à emissora "BFM TV" que tentou apenas defender seus valores, "que são também os da República".

Uma sobrevivente do Bataclan, no entanto, destacou a coragem de sua ação: "A maioria se fingia de morto para salvar-se, e gritar alto para que as pessoas saíssem lhe pôs em perigo. Eu devo minha vida a ele", concluiu.

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