Maduro reconhece dificuldade em lidar com o conflito de poderes na Venezuela

Caracas, 15 jan (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu nesta sexta-feira em seu discurso anual no parlamento, cuja maioria pertence à oposição pela primeira vez em 17 anos, que não se deixe cair nas "tentações de romper os equilíbrios necessários" e reconheceu que "não é fácil" conduzir o conflito de poderes vivido atualmente no país.

Em uma sessão solene diante dos representantes de todos os poderes do Estado, o governo em plenário e os deputados da nova Assembleia Nacional (parlamento), Maduro disse que, "reconhecendo os resultados eleitorais, se respeite à Constituição e os poderes públicos e não se deixe cair na tentação de uma contrarrevolução que produza aventuras que serão lamentadas por todos".

O presidente afirmou que a oposição, que "acusou o chavismo de ter instalado um regime tirânico durante mais de duas décadas, hoje está aqui presente, com a maioria que hoje exerce na Assembleia, e que reconhecemos, graças à Constituição".

"Quanto foi falado que na Venezuela não haveria eleições?", questionou o presidente, que acrescentou que "nas circunstâncias econômicas adversas, terríveis" de 2015, o chavismo disse "que aceitaria os resultados e assim o fez".

Maduro admitiu que "não é fácil conduzir o conflito de poderes que existe na Venezuela" no qual há um embate entre "dois modelos, um revolucionário, socialista" e outro "que vocês (oposição) representam, que obtiveram uma maioria eleitoral, que pode ser circunstancial", disse em referência ao controle do parlamento pela oposição.

"Nós decidimos há tempos abandonar o caminho da luta armada e nos recusamos a voltar para ele, nosso caminho é a Constituição, nosso caminho é a paz", frisou o presidente.

Maduro reconheceu que não dava as mãos na Assembleia Nacional para o atual presidente do parlamento, Henry Ramos Allup, como fez hoje quando o mesmo o recebeu na entrada da câmara, desde 1999, quando ambos eram deputados.

Além disso, Maduro pediu aos presentes que perguntem a si mesmos o quê querem que aconteça no país em 2016.

"Queremos a paz para todos ou entrar em uma espiral de violência que Deus sabe aonde irá nos levar? Que o país tome o rumo de desenvolvimento crescente ou que a economia afunde?", questionou o chefe de Estado.

Nesse sentido, Maduro pediu foco nas "grandes metas nacionais para o trabalho e a prosperidade, que preservem a vida constitucional" do país.

Maduro também disse em seu discurso que era sua obrigação "protestar pelo tratamento dado aos símbolos e às imagens" do libertador Simón Bolívar e de seu antecessor Hugo Chávez, durante a instalação do novo parlamento.

Assim que a nova legislatura foi instalada, Ramos Allup ordenou a retirada dos retratos de Chávez que se encontravam na Assembleia, assim como uma imagem de Bolívar reconstruída por computador que também estava presente em várias dependências parlamentares.

"Bolívar é ponto de encontro de todas e de todos os venezuelanos, o mais sagrado e o maior", afirmou Maduro, que entregou ao presidente do parlamento uma documentação sobre o "grande trabalho científico" que foi realizado para reconstruir o rosto do libertador.

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