Sobe para 35 o número de mortos por inanição em cidade na Síria, segundo MSF

(Atualiza com declarações de ativista).

Beirute, 16 jan (EFE).- O número de mortos por inanição na cidade síria de Madaya, ao noroeste de Damasco, subiu para 33 apesar da entrada de dois comboios humanitários esta semana, anunciou neste sábado a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Desde a chegada da primeira carga com comida e remédios a esta cidade cercada pelo conflito sírio, na segunda-feira passada, morreram cinco pessoas.

Estas vítimas se somam aos cinco mortos do último dia 10, a mais no dia 11 e aos 23 que morreram pela falta de alimentos durante o mês de dezembro.

Por esse motivo, a MSF exigiu a evacuação médica imediata dos pacientes em estado mais grave por desnutrição para evitar novas perdas.

"Isto é impactante, os pacientes seguem morrendo apesar da chegada de dois grandes comboios humanitários internacionais", declarou o diretor de Operações da MSF, Brice de le Vingne.

O responsável humanitário advertiu que é possível que alguns pacientes não sobrevivam, razão pela qual as retiradas devem ser efetuadas "imediatamente".

"Isto não pode continuar assim, as partes em conflito e os organismos que participam dos comboios humanitários devem fazer todo o possível para agilizar estas retiradas como um ato humanitário para salvar vidas", considerou.

A ONU, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho Sírio organizaram as duas caravanas humanitárias das últimas segunda-feira e quinta-feira a Madaya, que está cercada pelas forças do regime de Bashar al Assad e o grupo xiita libanês Hezbollah.

Também levaram cargas com assistência aos povoados de maioria xiita de Fua e Kefraya, no norte da Síria e rodeados pelo Frente al Nusra, filial da Al Qaeda neste país.

A MSF destacou que os médicos aos quais oferece apoio em Madaya identificaram 18 pacientes em estado crítico que necessitam ser transferidos ou correm risco de morte iminente.

Além disso, antecipou que, nos próximos dias, um número ainda maior de pessoas necessitará de "evacuações médicas ou de atendimento médico nutricional por parte de pessoal experiente".

A MSF aconselhou ainda que sejam retiradas de Madaya as mulheres grávidas e em período de lactação.

Um pedido similar para transferir doentes e feridos de Fua e Kefraya foi feito hoje por um ativista sírio com familiares nessas localidades e que pediu anonimato

A fonte, que pertence à Rede de Notícias de Nubul, Al Zahra, Fua e Kefraya, disse à Agência Efe pela internet que a situação é desesperadora nos dois povoados.

"Nesta semana uma menina de um ano e quatro meses que se chamava Fatima Nuredin morreu em Fua pela falta de comida e remédios", comentou o ativista, insistindo que há muitos pacientes que necessitam ser evacuados urgentemente.

A fonte explicou que só há um hospital em Fua que atende doentes e feridos de ambas localidades, com dois cirurgiões e quatro médicos, e grandes problemas para atender os pacientes pela escassez de remédios.

Além disso, afirmou que não há água nem em Kefraya nem Fua, cercadas desde 23 de março do ano passado, porque o principal depósito foi bombardeado pela Frente al Nusra.

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