Macri se compromete a ajudar a esclarecer misteriosa morte do promotor Nisman

Buenos Aires, 17 jan (EFE).- Na véspera do primeiro aniversário da morte de Alberto Nisman, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, se comprometeu neste domingo a ajudar a esclarecer esse caso e também o atentado contra uma associação mutual judaica que o promotor investigou durante uma década e pelo qual denunciou a ex-presidente Cristina Kirchner.

"O governo do presidente Macri tomou uma posição que não pretende interferir com a Justiça, mas sim favorecer dentro do Poder Executivo as medidas que se adotem para ajudar no esclarecimento de ambos episódios", declarou a presidência argentina em comunicado.

O presidente tornou pública sua postura após receber as filhas de Nisman, Iara e Kala, em seu sítio familiar de Los Abrojos, na cidade de Malvinas Argentinas, na província de Buenos Aires.

Durante o encontro, Macri declarou que considerava uma "dívida pendente" com família do promotor o reconhecimento ao trabalho que realizou para tentar determinar as causas e os responsáveis do sangrento atentado que matou 85 pessoas em 1994 e segue impune.

Como fruto de sua investigação, Nisman pediu a captura de ex-funcionários do governo iraniano e acusou a então presidente Cristina de tentar acobertá-los.

O promotor pretendia falar perante o Congresso argentino em 19 de janeiro de 2015 para dar detalhes sobre a denúncia por acobertamento, mas um dia antes foi achado morto com um tiro na cabeça no banheiro de seu apartamento de Buenos Aires.

Após um ano de investigações e com um expediente de mais de 9.000 páginas sobre a mesa, a Justiça não pôde determinar se o caso se tratou de um suicídio, de um suicídio induzido ou de um assassinato.

Esta última hipótese é a que sustenta a família de Nisman, querelante na causa.

"Há alguns anos fiz um trabalho para o colégio vinculado ao terrorismo no qual especialmente analisei seu fim primordial: infundir o medo nas pessoas. Ao longo deste ano, senti que o assassinato do meu papai teve esta mesma mensagem", escreveu Iara em artigo no jornal "Clarín".

Dias antes, tanto a mãe do promotor, Sara Garfunkel, como sua irmã, Sandra Nisman, se mostraram convencidas de que ele foi assassinado ou "obrigado a matar-se".

Como argumentos destacam, entre outros, a ausência da pólvora em suas mãos e de impressões digitais na pistola que o matou, que pertencia ao técnico de informática Diego Lagomarsino, que garante que a emprestou ao promotor um dia antes.

No entanto, os peritos oficiais opinam que não são provas conclusivas e descartam a presença de uma segunda pessoa no banheiro onde o promotor foi achado morto.

A fim de favorecer a investigação, Macri emitiu um decreto para desclassificar toda a informação relativa a Nisman desde setembro de 2012 até o momento.

Além disso, suspendeu a obrigação de guardar segredo a todos os agentes e ex-agentes dos serviços de inteligência que tenham acesso a informação confidencial e tenham sido convocados a prestar depoimento na causa relativa à morte do promotor.

Uma das testemunhas-chave é o ex-chefe de Operações da Secretária de Inteligência, Antonio "Jaime" Stiuso, que se encontra foragido desde fevereiro do ano passado e tem uma ordem de captura internacional da Interpol.

Segundo revelou hoje o jornal "La Nación", Stiuso, um dos mais próximos colaboradores de Nisman na investigação do atentado contra a Amia, estuda retornar ao país para prestar depoimento.

O advogado de Stiuso, Santiago Blanco Bermúdez, comunicou à juíza Fabiana Palmaghini que seu cliente está no exterior desde fevereiro porque teme por sua segurança.

No entanto, após a posse de Macri como presidente da Argentina, "está considerando voltar", declarou o advogado à juíza, de acordo com o jornal.

Tanto o governo de Cristina Kirchner (2007-2015) como os serviços de inteligência ficaram no olho do furacão após a morte de Nisman, que provocou um terremoto político e a mobilização de milhares de pessoas para exigir respostas da Justiça.

A desclassificação de informação poderia reabrir a causa contra a ex-presidente, que foi arquivada em maio do ano passado.

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