Agente cubano libertado nos EUA elogia Obama, mas exige fim do embargo

Antonia Méndez Ardila.

Madri, 18 jan (EFE).- O cubano Gerardo Hernández, agente preso nos Estados Unidos durante 16 anos, reconhece a coragem do presidente Barack Obama por ter restabelecido as relações diplomáticas com Cuba, mas reivindica o fim do bloqueio americano sobre a ilha.

"Na realidade as mudanças que esperamos nas relações com os EUA não chegaram", afirmou em entrevista à Agência Efe, na qual pediu uma posição mais ativa do presidente americano, embora reconheça que "assumiu posturas muito valentes quanto às relações com Cuba".

"Há muitas coisas que não dependem do presidente Obama, mas há outras em que poderia ter tomado uma decisão e não fez nada ainda", apontou.

Em 20 de julho de 2015 Estados Unidos e Cuba restabeleceram relações diplomáticas, depois de mais de mais de meio século de ruptura.

Em setembro de 1960, após a revolução cubana, os EUA decretaram um bloqueio comercial sobre Cuba e quatro meses depois, em 3 de janeiro de 1961, ambos países romperam relações diplomáticas.

Hernández considera que a nova situação "não é tudo o que esperamos, mas é justo reconhecer que os passos que (Obama) deu no melhoramento das relações com Cuba são positivos e valentes".

Em relação ao fim do bloqueio por parte dos Estados Unidos, declarou que "se são coerentes com o que se disse, o fim do bloqueio deveria acontecer em um futuro próximo, mas não me parece que isso seja o que vá ocorrer".

O presidente Obama reivindicou o fim do bloqueio a Cuba, embora a decisão definitiva deva ser tomada pelo Congresso de seu país.

No entanto, algumas medidas já foram concretizadas, como a retomada de voos comerciais entre os dois países e o restabelecimento do serviço postal direto.

O agente cubano acredita que o processo de normalização de relações entre Havana e Washington é irreversível e está acima de possíveis mudanças políticas nos EUA, que em novembro deste ano elegerão um presidente para suceder Obama.

"Nos EUA há interesses muito poderosos aos quais lhes importa, acima de tudo, as oportunidades de negócio. Para as pessoas que se opõem às relações com Cuba seria difícil encontrar consenso para reverter isso", ponderou.

Gerardo Hernández ressaltou que "os cubanos vemos com muito otimismo este processo que se iniciou e é nosso desejo que se ponha fim a essa política que o mundo inteiro, e agora os Estados Unidos, reconheceram como uma política fracassada".

Este agente cubano, junto a outros quatro companheiros, foi julgado e declarado culpado de espionagem em Miami, onde está instalado o influente lobby de dissidentes cubanos, contrário ao restabelecimento de relações e ao fim do embargo.

Perguntado por essa circunstância, Hernández opinou que estas são as pessoas que fizeram do bloqueio e do anticastrismo "praticamente uma indústria", mas que agora "ficaram isolados" porque "há tempos que os interesses que eles representam não são maioria nem sequer em Miami".

Sobre sua condenação e as dos outros quatro membros do grupo, afirmou que foram vítimas de uma "sanha", ao justificar que foi "uma maneira de castigar à revolução cubana".

Hernández, junto a dois de seus companheiros, foi libertado em 17 de dezembro de 2014, o mesmo dia em que o presidente de Cuba, Raúl Castro, e Obama anunciaram o início do processo para restabelecer relações diplomáticas.

"Felizmente a solução de nosso caso passou por todo este processo de melhoramento das relações. O fato é que, depois que os dois países decidiram este processo, se solucionou o caso dos cinco", concluiu.

Gerardo Hernández, filho de uma espanhola nascida nas Ilhas Canárias, chegou a Madri procedente dessa região, onde foi mostrar seu agradecimento às pessoas que o apoiaram durante sua prisão.

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