Luta contra racismo se revigora nos EUA no dia de Martin Luther King

Irene Benedicto.

Washington, 18 jan (EFE).- Centenas de pessoas participaram de uma passeata em prol da liberdade e da igualdade entre raças nesta segunda-feira em Washington por ocasião do Dia de Martin Luther King em uma época marcada pelo ressurgimento do ativismo contra o racismo.

"Foi um ano (2015) de ressurgimento da luta contra o racismo em todo o país", afirmou à Agência Efe o ativista Eugene Puryear, da coalizão Answer, onde fica o popular movimento Black Lives Matters ("As vidas dos negros importam").

Os Estados Unidos lembram com um feriado nacional, há três décadas, na terceira segunda-feira de janeiro, o nascimento do reverendo Martin Luther King Junior, que em 15 de janeiro teria completado 87 anos se não tivesse sido assassinado em 4 de abril de 1968.

"Estamos aqui para dizer que o verdadeiro legado de Martin Luther King é o da luta contra a pobreza, o racismo, o militarismo e a guerra. Há muita gente que tenta levar seu legado rumo a outros propósitos", argumentou Puryear.

Apesar de Washington ter amanhecido com temperatura de dez graus abaixo de zero, cerca de 500 pessoas e 50 organizações foram às ruas para participar da manifestação, disse à Agência Efe o comitê da associação MLK Holiday DC.

A passeata percorreu a avenida Martin Luther King Jr, nos arredores da capital, no bairro de Anacostia, onde vive a maior parte de população negra da cidade.

Desde as 9h (12h de Brasília), o United Black Fund, organização sem fins lucrativos que trabalha pela melhora das condições de vida dos negros na região do Distrito de Columbia (DC), tentava manter o calor dos participantes com discursos pela liberdade e a igualdade alternados com cânticos e café quente.

O ressurgimento da luta contra o racismo, da qual Puryear se orgulha, se deve à extensão do "Black Lives Matters" que, conforme ele mesmo explicou, agora vai "além de negros e latinos" e também chega "à classe trabalhadora branca".

"O próprio MLK tentou mobilizá-los no final de sua vida, e agora estão começando a tomar forma na vida política, portanto seu legado está sendo honrado mais uma vez nas ruas", acrescentou o ativista.

Puryear tornou-se uma referência do ativismo na região de DC por organizar as grandes manifestações contra da guerra do Iraque e do Afeganistão desde 2003, com a participação de centenas de milhares de pessoas.

Como em 1969, hoje centenas de pessoas percorreram as ruas de Washington, cidade onde foram realizadas as primeiras passeatas para pedir um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King, o que foi aprovado em 1983 pelo então presidente Ronald Reagan.

A caminhada pacífica, realizada há uma década, terminou com um programa cultural e música ao vivo.

"Caminhamos juntos, sem nos importar com qual raça ou de que nacionalidade o próximo é. Todos caminhamos juntos e trabalhamos para a comunidade, para garantir que nossas famílias e nossos vizinhos tenham uma vida melhor", enfatizou Flava, do comitê organizador MLK Holiday DC.

Representantes da Guarda Costeira também marcaram presença - e de uniforme - na manifestação.

"Para nós, é uma maneira de mostrar que somos parte da comunidade", disse à Efe o capitão-tenente Jonathan Schafler.

Com 430 funcionários no Distrito de Columbia, onde fica a capital Washington, os guardas-costeiras participam de ações para a comunidade como a construção de refúgios e albergues.

O Dia de Martin Luther King também marcou a agenda do presidente dos EUA, Barack Obama, e o de sua esposa, Michelle, que compareceram a uma escola primária para participar de um projeto de serviços comunitários.

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