Aumento de ataques a civis em conflitos preocupa comunidade internacional

Mario Villar.

Nações Unidas, 19 jan (EFE).- Os civis são cada vez mais alvo dos ataques nos conflitos mundiais, uma situação que provocou um grande alerta na comunidade internacional e que a ONU quer dar mais atenção, prevenindo agressões e culpando os responsáveis.

O problema foi analisado nesta terça-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, em reunião especial na qual a organização mostrou um panorama devastador, sobretudo em países como Síria, Iêmen e Iraque. Somente neste último país, foram assassinados 19 mil civis entre janeiro de 2014 e outubro de 2015, de acordo com um relatório divulgado hoje em Genebra.

"A realidade no terreno é sombria e desoladora. Nos conflitos de todo o mundo, um grande número de civis é assassinado deliberadamente ou por negligência, além de serem mutilados, torturados e sequestrados. A violência sexual é assustadora", denunciou o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson.

O número dois da ONU destacou o crescimento dos ataques contra hospitais e escolas, além da carnificina provocada pelo uso de armas explosivas contra cidades em conflitos como o da Síria.

Em 2014, 92% das vítimas desse tipo de ataques foram civis, de acordo com dados da ONU, que voltou a reiterar os graves problemas vividos pela população quando as localidades são sitiadas.

"Todos vimos a horrível realidade em Madaya, na Síria, onde milhares de pessoas viram negado o acesso à comida e ao tratamento médico por meses, provocand uma crise de fome e morte. Lembremos que Madaya é, infelimente, apenas um lugar onde isso está ocorrendo", disse o vice-secretário-geral da ONU.

Representantes da Oxfam e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também discursaram no encontro e reforçam as denúncias sobre a situação dos civis nos conflitos.

"Duas de cada três mulheres, homens e crianças com os quais trabalhamos em crises humanitárias são afetados pela violência e o conflito", disse a assessora de políticas humanitárias da Oxfam, Eveline Rooijmans.

Já o CICV disse que atendeu 40 milhões de pessoas em todo o mundo em 2015, um recorde na história da organização. "Infelizmente, vemos a tendências de crescentes necessidades humanitárias, com probabilidade de isso continuar no próximo ano", disse a vice-presidente do CICV, Christine Beerli.

Parte desse fenômeno se deve, segundo a ONU, à "barbárie" promovidas por grupos extremistas como o Estado Islâmico (EI), que atua na Síria e no Iraque, especialmente, e ao Boko Haram, na Nigéria, que apresentam novos desafios.

"Esses grupos assassinam de forma brutal e descarada milhares de pessoas, sequestram meninas, sistematicamente negam os direitos das mulheres, destroem as instituições culturais e solapam os valores pacíficos das religiões", afirmou Eliasson.

Em resposta à atual situação, a ONU ressaltou a importância de lembrar constantemente às partes em conflito sobre suas responsabilidades dentro da legislação internacional e usar todo o tipo de ferramenta para garantir o cumprimento das normas.

A ONU aposta em um maior trabalho na prevenção de conflitos, com uma vigilância ainda mais próxima por parte do Conselho de Segurança de situaões potencialmente perigosas, caso do que ocorre hoje no Burundi, exemplo utilizado por várias delegações no debate.

Além disso, Eliasson ressaltou que deve haver punição dos responsáveis onde as violações ao direito internacional são cometidas de forma contínua. Primeiro, através de mecanismos nacionais, mas, se não for possível, recorrendo ao Tribunal Penal Internacional.

O Uruguai, que preside provisioramente o Conselho de Segurança da ONU neste mês, lembrou que o órgão decisório tem o "dever moral e jurídico" de fazer tudo o possível para garantir a máxima proteção dos civis.

"Infelizmente, e apesar de valentes esforços e significativos avanços, estamos muito longe de estarmos fazendo o melhor que podemos", criticou o vice-ministro das Relações Exteriores do país, José Luis Cancela.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos