Banco Mundial diz que 1 de cada 5 jovens nem estuda nem trabalha na A.Latina

Alfonso Fernández.

Washington, 19 jan (EFE).- Um de cada cinco jovens entre os 15 e 24 anos nem estuda nem trabalha na América Latina, o que representa mais de 20,8 milhões de pessoas na região, sendo dois terços delas mulheres, indicou um estudo publicado pelo Banco Mundial.

O número corresponde a 19,3% do total de jovens latino-americanos, mas é especialmente elevado na América Central, no México e na Colômbia, com percentuais superiores à média regional, onde o problema é agravado pela ampla presença do crime organizado, explicou à Agência Efe Rafael de Hoyos, um dos coautores do estudo.

Em números absolutos, a maior parte dos representantes da geração "nem-nem", como é chamado o grupo, está no Brasil, Colômbia e México. A maioria deles, mais de 70%, vive em cidades e tem um baixo nível de educação. Proporcionalmente, o Peru é o país com menos jovens nessa situação (10,9%). Já El Salvador e Honduras possuem o maior percentual, ambos com 25%.

Entre 1992 e 2013, de acordo com o estudo, a quantidade de jovens que fazem parte da geração "nem-nem" cresceu em 4 milhões em números absolutos, atingindo os atuais 20,8 milhões, em grande medida impulsionado pelo aumento dos homens nesta situação, mas teve uma redução percentual de 23,4% para 19,3% no período.

Por isso, o Banco Mundial alertou que o problema é "persistente", já que, apesar do bom desempenho econômico da região no início do século, com altas taxas de crescimento e uma redução significativa da desigualdade, o indicador não caiu de forma representativa.

O estudo, intitulado "Nem-nem na América Latina: 20 milhões de jovens em busca de oportunidades", revelou os efeitos negativos da situação a longo prazo. Um crescimento de 1% dos "nem-nem", por exemplo, pode gerar uma queda nas receitas de 7% nos próximos 20 anos, de acordo com os cálculos do Banco Mundial.

De Hoyos explicou à Efe que o perfil típico dos "nem-nem" da América Latina são mulheres que não terminaram o ensino médio, vivem em um lar urbano pobre ou vulnerável. Como principais fatores de risco para elas, que representam dois terços do total de jovens nesta situação na região, indica o pesquisador, estão o casamento antes dos 18 anos e a gravidez na adolescência.

O vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Jorge Familiar, afirmou durante a apresentação do estudo que os países que oferecerem educação de alta qualidade à população jovem em expansão e que contem com mercados trabalhistas dinâmicos poderão crescer e reduzir a pobreza de maneira mais rápida.

Também presente ao evento, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, destacou a importância do reforço ao sistema educacional, algo decisivo para reduzir a grande desigualdade da América Latina em relação ao resto do mundo.

De forma geral, a região se encontra perto da média global de jovens "nem-nem", que é de 23%. O leste da Ásia possui o maior número de pessoas nesta situação (32%), enquanto os países desenvolvidos têm os menores índices (11%).

No mundo todo, 260 milhões de jovens nem estudam nem trabalham. EFE

afs/lvl

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