Estado Islâmico confirma a morte de "Jihadi John"

Cairo, 19 jan (EFE).- O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) anunciou nesta terça-feira a morte de "Jihadi John", responsável por decapitar vários reféns ocidentais na Síria, em um ataque com um drone realizado no dia 12 de novembro de 2015.

Na última edição da revista "Dabiq", publicada em inglês pelo EI, a organização afirma que Mohammed Emwazi, conhecido pelos extremistas como Abu Muharib al Muhayir, morreu quando o veículo no qual viajava foi bombardeado na cidade de Al Raqqa, principal reduto dos jihadistas na Síria.

O governo dos Estados Unidos tinha afirmado pouco depois do ataque aéreo em Al Raqqa que tinha "grande confiança" e uma "certeza razoável" sobre a morte de Emwazi.

"É ainda cedo. Temos uma certeza razoável de ter matado o alvo que tentávamos matar, que era Jihadi John. Levará algum tempo, como sempre, para declararem formalmente que tivemos êxito na operação", afirmou na época o porta-voz do Pentágono no Iraque, Steven Warren.

De acordo com artigo da revista do EI, que dedica duas páginas a Emwazi, o terrorista tinha nacionalidade britânica, apesar de ter nascido no Kuwait e sua mãe ser iemenita.

Identificado em fevereiro de 2015, Emwazi foi visto pela primeira vez em imagens divulgadas pelo EI pela internet em agosto de 2014, quando apareceu no vídeo da morte do jornalista americano James Foley. Além disso, ele apareceu nos vídeos da decapitação do também dos americanos Steven Sotloff e Abdul-Rahman Kassig, dos britânicos David Haines e Alan Henning, e do japonês Kenji Goto.

Já em 2011, o MI-5, o serviço de inteligência do Reino Unido, consideravam Emwari como um suspeito que deveriam vigiar, pois ele era relacionado com outros grupos extremistas.

"Jihadi John" ficou famoso pelo seu forte sotaque britânico nos vídeos e por colocar uma faca no pescoço dos reféns, a ponto de decapitá-los, antes das imagens serem cortadas.

Em novembro do ano passado, o porta-voz do Pentágono que anunciou sua morte, explicou que a ação representava um "golpe significativo para o prestígio do EI", apesar de esclarecer que Emwazi não era uma "grande figura estrategista" nem um "membro-chave" em questões operacionais do grupo jihadista.

"Sua morte é significativa porque ele era uma ferramenta primária de recrutamento. Todos estamos familiarizados com esses vídeos horríveis de uma barbárie absoluta. Ele era um animal humano e matá-lo provavelmente faz com que o mundo seja um lugar melhor", disse na época o porta-voz americano.

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