Ex-mulher de Nisman sente que "as coisas estão mudando" na investigação

Buenos Aires, 19 jan (EFE).- A ex-mulher do promotor argentino Alberto Nisman afirmou nesta terça-feira que sente "que as coisas estão mudando na investigação" sobre a morte de seu marido, que completou o primeiro aniversário, e avaliou com bons olhos as mudanças implementadas pelo governo de Mauricio Macri.

"Desde o princípio, assim que me inteirei que a morte de Alberto tinha sido consequência de uma arma de fogo, não tive dúvidas que tinham matado ele", disse Sandra Arroyo Salgado em declarações à "Rádio Mitre".

A ex-mulher, querelante particular na causa em nome das duas filhas menores de idade que teve com Nisman, sempre defendeu a hipótese do homicídio e se mostrou muito crítica pela forma na qual a promotora do caso, Viviana Fein, levou a investigação até dezembro, quando a juíza Fabiana Palmaghini assumiu a iniciativa.

"Sinto que as coisas estão mudando na investigação. Espero que o Poder Judiciário esteja à altura das circunstâncias. Mas não quero condicionar meus colegas, quero ser respeitosa com seu trabalho", apontou.

"Eu entendo que no expediente com as provas científicas incorporadas está demonstrado que isto foi um homicídio", continuou Salgado, que além disso sustentou que o fato esteve "relacionado com seu trabalho", o que justifica falar de "magnicídio".

Nisman, promotor especial da causa sobre o atentado contra um local judeu que deixou 85 mortos em 1994, foi encontrado morto em seu domicílio de Buenos Aires, com um tiro na têmpora, em 18 de janeiro de 2015.

Após um ano de investigação, ainda não foi esclarecido se a morte foi um suicídio, um suicídio induzido ou um homicídio.

"Sinto que nosso sistema não esteve à altura das circunstâncias, não estamos preparados para proteger e representar as vítimas como corresponde", opinou Salgado, além de lamentar a má "imagem" que a Argentina projetou ao exterior com relação à morte de seu ex-marido.

Salgado também avaliou positivamente as mudanças implementadas pelo novo governo, com Mauricio Macri à frente, que no domingo passado recebeu suas filhas e se comprometeu publicamente com o esclarecimento da morte.

A morte do promotor causou uma forte comoção social na Argentina e uma grave crise política já que aconteceu a poucos dias de Nisman apresentadr uma denúncia, já desestimada, contra a então presidente, Cristina Kirchner, pelo suposto encobrimento de terroristas iranianos implicados no atentado contra os judeus.

Na tarde de ontem, data na qual se completava o primeiro aniversário da morte, milhares de pessoas se concentraram na capital para lembrar o promotor, com velas acesas e reivindicações de justiça.

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