Governo venezuelano promete caminho para superar crise sem prejuízo social

Indira Guerrero.

Caracas, 18 jan (EFE).- O governo da Venezuela começou nesta segunda-feira a estabelecer os fundamentos de um plano para atender à emergência econômica do país sul-americano, com iniciativas para superar a difícil situação sem causar prejuízos sociais, frente às quais pediu a confiança do setor privado.

Depois que o plano de recuperação econômica de 2015 elaborado pelo presidente Nicolás Maduro para lidar com a crise não apresentou resultados e a economia registrou recessão pelo segundo ano consecutivo, seu governo se prepara para atenuar a crise com uma "agenda econômica bolivariana".

O vice-presidente executivo, Aristóbulo Istúriz, afirmou hoje que o governo evitará uma saída "neoliberal" para a difícil situação econômica e garantiu que o Executivo está seguro das ações que tomará para recuperar a economia nacional, que mostrou o pior desempenho do continente sul-americano.

"Estamos obrigados a construir um modelo produtivo que nos permita gerar riqueza e, ao mesmo tempo, manter e aprofundar as conquistas do povo", disse o político para um grupo de empresários.

Istúriz e vários integrantes do Executivo começaram hoje uma rodada de reuniões e encontros com empresários de todo o país para oferecerem maiores detalhes da agenda e pedirem a confiança do setor privado nesta nova empreitada.

"Temos que buscar uma saída que não seja a neoliberal", ressaltou o vice-presidente, que, além disso, preside o Conselho Nacional de Economia, criado para lidar com a crise no país, que terminou o ano de 2015 com uma inflação de três dígitos.

Após o decreto do estado de emergência econômica na última sexta-feira, "a ideia é que não estejamos estudando tanto as coisas, porque já há muitos estudos, muitos diagnósticos. Agora é hora de apresentar o exame", afirmou Istúriz.

A economia da Venezuela, que é extremamente dependente das exportações de petróleo (95%), está profundamente afetada pela queda dos preços internacionais da commodity, o que, segundo Istúriz, levou o país a perder 70% de sua receita.

Em 2015, a recessão se aprofundou pelo segundo ano consecutivo com a retração do Produto Interno Bruto (PIB) durante os três primeiros trimestres do ano, com queda de 1,4% no primeiro, 4,7% no segundo e 7,1% no terceiro.

De acordo com os números oficiais divulgados na última sexta-feira, a inflação dos primeiros nove meses de 2015 foi de 108,7% (acumulada) e a variação em estimativa anualizada no fechamento do terceiro trimestre desse ano ficou em 141,5%.

Esses são os piores números de inflação registrados na história do país, que viveu uma de suas piores crises em 1996, com uma inflação de 103%, e outra em 1989, com 84,5%.

As medidas aplicadas para atenuar as crises passadas foram as que motivaram revoltas populares e "isso é o que devemos evitar", disse hoje Istúriz ao grupo de empresários.

O Conselho Nacional de Economia, conforme explicou o vice-presidente, é uma instância criada para buscar e aplicar as soluções e tem como objetivos fazer um plano produtivo, elevar a captação de divisas e diversificar as fontes, além de regular o sistema de produção e distribuição de produtos de primeira necessidade.

Além disso, o órgão propõe como meta otimizar a coleta de impostos e agilizar os processos dos bancos.

O conselho, que é formado por ministros, empresários, e líderes locais, será instalado amanhã e terá sua agenda de trabalho detalhada por Maduro.

As ações que o Executivo planeja estão embasadas no decreto de emergência econômica que foi oficializado na sexta-feira e que ainda está à espera de aprovação no parlamento, que é controlado pela oposição.

O parlamento não incluiu a discussão do decreto na agenda desta terça-feira e os opositores não deixaram claro qual é sua posição diante do mesmo, que, se for rejeitado, vai fazer o plano de Maduro naufragar.

O governador do estado de Miranda e ex-candidato presidencial da oposição, Henrique Capriles, criticou hoje o decreto de emergência econômica argumentando que sua aprovação significa "dar mais poder aos responsáveis pela crise".

O governador considera que o debate no parlamento sobre o decreto deveria contar com a presença dos ministros para que os mesmos expliquem onde foram investidos os recursos do país, que tem as maiores reservas comprovadas de petróleo no mundo.

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