Manifestantes invadem parlamento da Moldávia em protesto contra novo governo

Moscou, 20 jan (EFE).- Dezenas de manifestantes invadiram nesta quarta-feira a sede do parlamento da Moldávia, depois de os deputados terem aprovado a composição e o programa do novo governo liderado pelo primeiro-ministro Pavel Filip.

Opositores romperam o cordão policial, conseguiram derrubar uma das portas com intenção de invadir o prédio, mas foram parados por uma segunda barreira formada pelos agentes de segurança.

Os manifestantes se negam a abandonar o acesso ao edifício e, aos gritos de "o parlamento é nosso", pedem que os policiais se retirem da sede do Legislativo, informou a imprensa local.

Milhares de manifestantes rodeiam a sede da câmara exigindo que o parlamento seja dissolvido e sejam convocadas novas eleições gerais.

Alguns das dezenas de jornalistas bloqueados no edifício após cobrir a posse de Filip informaram que a polícia chegou a usar gás lacrimogêneo contra os opositores, enquanto outros assinalaram que os manifestantes mais radicais lançaram bombas de fumaça contra as forças de segurança.

Os líderes do protesto contra o parlamento aparentam agora estar divididos sobre os passos a seguir a partir de agora.

Enquanto alguns dirigentes da heterogênea plataforma cívica Dignidade e Justiça (DA) comandam os mais exaltados, outros pediram aos manifestantes que deixem o edifício, da mesma forma que fizeram o Partido Socialista e o extraparlamentar Nosso Partido, representantes da esquerda pró-russa.

"Não somos vândalos, somos maioria. Não podemos enfrentar a polícia nem tomar edifícios públicos. Não queremos distúrbios. Queremos eleições antecipadas", disse Igor Dodon, líder dos socialistas, principal partido da oposição no país.

O líder da DA, Andrei Nastase, lamentou que "não se pôde evitar provocações" e pediu a seus correligionários que não permitam "confrontações e distúrbios".

O parlamento da Moldávia aprovou hoje a composição e o programa do novo governo liderado por Pavel Filip, um candidato de compromisso apoiado pela maioria parlamentar a fim de acabar com três meses de incerteza.

O pequeno país, o mais pobre da Europa, está sem governo desde que uma moção de censura destituiu o Executivo de Valeri Strelets no final de outubro.

A crise se prolonga ainda mais no passado, e tanto os opositores pró-Rússia como a DA exigem há meses a renúncia do presidente Nicolae Timofti e a realização de novos pleitos.

Os protestos opositores começaram depois que as autoridades reconheceram o roubo de US$ 2 bilhões de três bancos moldávios aos quais o Estado concedeu numerosos créditos, e depois do desaparecimento fraudulento de US$ 1 bilhão do sistema bancário entre 2012 e 2013.

A gravidade da crise política na Moldávia, antiga república soviética encravada entre Ucrânia e Rússia, está refletida no fato de que apenas no ano passado o país teve cinco primeiros-ministros.

A oposição pró-russa insistiu hoje que acompanhará os protestos contra o "governo de oligarcas" recém-nomeado.

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