Cruz Vermelha pede ajuda urgente para refugiados do Burundi na Tanzânia

Genebra, 21 jan (EFE).- A Federação Internacional da Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho (FICV) pediram nesta quinta-feira ajuda para cobrir, com urgência, as necessidades dos milhares de refugiados que diariamente saem do Burundi rumo a Tanzânia.

A Cruz Vermelha alertou que os meios que tem para ajudar os mais de 123 mil refugiados que estão em campos na Tanzânia são limitados.

"Milhares de famílias, com muitas crianças pequenas, estão vivendo em espaços muito reduzidos, esticando seus recursos ao limite", explicou em comunicado Andreas Sandin, coordenador das operações da FICV para o leste da África.

"As agências humanitárias fazem o que podem para cobrir as necessidades básicas, mas com gente chegando todos os dias, precisamos reforçar nossas atividades o mais rápido possível. Para alcançá-lo, precisamos continuar a contar com o apoio de nossos parceiros", acrescentou.

O objetivo da Cruz Vermelha é poder assistir a 250 mil refugiados na Tanzânia, e aumentou o orçamento de seu plano de atuação desde os 2,1 milhões de francos suíços (R$ 8,65 milhões) até os 2,5 milhões (R$ 10 milhões).

Até o momento, apenas 29% desse valor está coberto.

As doações adicionais permitirão ao FICV e à Cruz Vermelha da Tanzânia expandir suas atividades e prover assistência médica, água potável e instalações sanitárias, assim como trabalhar na prevenção de epidemias.

"Quanto há tanta gente vivendo em espaços tão reduzidos em condições higiênicas péssimas, os focos de doenças como malária e cólera se transformam em ameaças reais", afirmou Adinoyi Adeiza, coordenador de saúde da FICV para o leste da África.

A maioria dos refugiados burundineses na Tanzânia se estabeleceram no campo de Nyaragusu, que nos últimos 18 anos serviu de lar para 65 mil refugiados do Congo.

O campo tem capacidade para abrigar 50 mil pessoas, e a superlotação está provocando a escassez de recursos e serviços.

Nos últimos nove meses, funcionários e voluntários da Cruz Vermelha local se encarregaram de procurar serviços médicos e de incluir 150 camas adicionais no hospital do campo.

Da mesma maneira, a FICV lançou operações de emergência em Ruanda, para dar suporte aos 77 mil burundineses que se assentaram no país fugindo da violência.

Mais de 232 mil pessoas fugiram do Burundi e se refugiam em diferentes países da região desde que em abril de 2015 começou uma onda de violência após o presidente, Pierre Nkurunziza, anunciar que pretendia concorrer a um terceiro mandato, desrespeitando a legislação, que só permite uma eleição e uma reeleição.

As eleições aconteceram e Nkurunziza ganhou, em processo condenado pela comunidade internacional.

O pleito só fez encorajar a oposição interna e uma feroz repressão governamental que deixou milhares de mortos.

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