Portugal elege chefe de Estado cinco anos após pedido de resgate financeiro

Óscar Tomasi.

Lisboa, 21 jan (EFE).- A angústia vivida por Portugal na última vez que realizou eleições presidenciais, em 2011, com um resgate financeiro em andamento, contrasta com a calma em torno do pleito do próximo domingo, em um contexto político e econômico muito diferente.

Há cinco anos, a pressão dos mercados era cada vez mais insuportável, o país era visto como claro candidato a seguir os passos de Irlanda e Grécia, a chamada 'troika' (formada por Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) dava as caras e duras medidas de austeridade começavam a ser implementadas.

Agora, o novo governo socialista já começa a reverter a política de ajustes e cortes mantida pelo governo anterior, a recuperação econômica - embora ainda tênue - parece se estabelecer e os títulos da dívida portuguesa têm cotação em patamar historicamente baixo.

Nestes cinco anos, a notável mudança entre o ambiente do pleito anterior e este se explica, sobretudo, por motivos externos a Portugal, uma vez afastados os fantasmas de uma hipotética saída do euro e esquecida a crise da dívida soberana.

As eleições presidenciais de 2011 deram a vitória ao conservador Aníbal Cavaco Silva, que se despede do cargo após dois mandatos consecutivos, o máximo permitido pela Constituição.

A campanha naquele momento foi marcada pela tensão. Não só devido à delicada situação econômica e financeira de Portugal, mas também a um caso de venda privilegiada de ações que supostamente teria beneficiado Cavaco Silva e que nunca foi provado.

Toda essa agitação se choca com a tranquilidade em torno deste pleito, realizado apenas três meses e meio depois que o país votou para escolher o governo.

O claro favorito neste pleito é o candidato apoiado pelos partidos conservadores Marcelo Rebelo de Sousa, de 67 anos, enormemente popular em Portugal graças a sua condição de comentarista político na televisão durante mais de uma década.

Entre os nove candidatos restantes, os principais adversários de Rebelo são António Sampaio de Nóvoa e Maria de Belém, ambos próximos ao Partida Socialista.

Em seguida aparecem nas pesquisas a eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matías e o comunista Edgar Silva, que estão à frente de outros candidatos que não contam com respaldo oficial de nenhum partido político.

No plano econômico, Portugal fechou 2015 em positivo, como o fez em 2014, e estima-se que o PIB tenha crescido em torno de 1,6%.

A taxa de desemprego também deu sinais de leve melhora, caindo mais de um ponto e terminando o ano perto de 12%.

Do lado financeiro, os títulos da dívida com prazo de dez anos - o de referência para os analistas - estão cotados no mercado secundário a 2,7%, longe dos 7% de 2011, e suas últimas emissões de letras a curto prazo bateram recordes ao conseguirem inclusive taxas de juros negativas.

Apesar dos avanços, o país ainda tem motivos para se preocupar. As principais agências de classificação de risco mantêm a dívida portuguesa em nível de "bônus lixo", e distintas vozes advertem que a estrutura econômica de Portugal continua apresentando problemas para conseguir crescer de forma mais acentuada.

Outro desafio enfrentado por Portugal - e que fará parte da agenda do próximo chefe de Estado - é o envelhecimento da população, agravado pela emigração de cerca de meio milhão de portugueses durante os últimos cinco anos, muitos deles jovens universitários que não encontravam trabalho em seu país de nascimento.

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