Rebelo de Sousa passa de comentarista político a TV a favorito à presidência

Piedad Viñas.

Lisboa, 21 jan (EFE).- Político, jurista, professor e principalmente comunicador, o carismático ex-comentarista político de televisão Marcelo Rebelo de Sousa é o favorito dos portugueses para substituir Aníbal Cavaco Silva na presidência de Portugal.

Aos 67 anos, o "professor Marcelo", como é conhecido popularmente, entrou por anos nos lares dos portugueses aos domingos à noite para comentar os assuntos mais destacados da atualidade nacional e internacional, inclusive com entrevistas, como a que fez com Cristiano Ronaldo em sua casa em Madri.

Divorciado, com dois filhos e cinco netos, Rebelo de Sousa, nascido em Lisboa, é filho de uma assistente social e de um médico que foi ministro do regime nos últimos anos da ditadura e lhe despertou, ainda na infância, a paixão pela política.

Militante do partido social-democrata (PSD, de centro-direita) desde 1974, ele chegou a liderá-lo na década de 90, uma época em que é lembrado sempre pela resposta que deu quando perguntaram se algum dia seria líder do partido: "Nem que Cristo desça à Terra", disse então.

A política o levou a ser vereador em Lisboa e Cascais, assim como ao parlamento como deputado. Ele também foi secretário de Estado, vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE) e membro do Conselho de Estado.

Apesar desta ampla bagagem política, Rebelo de Sousa é mais conhecido por sua profissão de professor universitário e mais ainda por sua presença semanal na televisão, onde construiu um enorme apelo midiático que o tornou líder indiscutível de audiência, até decidir deixar a TV em outubro para se concentrar em sua candidatura.

Suas palavras rendiam com frequência manchetes na segunda-feira, e Rebelo chegou a dar em seu programa alguns furos de reportagem.

Os mais críticos o acusam - assim como a outras personalidades da TV - de servir como plataforma de lançamento de "balões de ensaio" por parte do governo ou da oposição para servir de termômetro popular a medidas controversas.

Rebelo de Sousa discorda e alega que a influência dos comentaristas e apresentadores em Portugal é "muito menor do que se pensa".

"Olho para os mais de 40 anos que tenho de atividade profissional e acho que a influência real é muito menor do que se diz, sobretudo nos atores políticos", disse recentemente à Agência Efe ao defender sua independência, apesar de seu passado como dirigente social-democrata.

Inteligente, simpático, divertido, bom estrategista e grande comunicador são as suas qualidades que em geral se destacam e que contrastam com outras não tão positivas: pouco confiável, instável e imprevisível.

Sua campanha foi de "proximidade" e de "convergência" com todos os portugueses, segundo o próprio Rebelo de Sousa, que conta com o apoio dos dois partidos conservadores, o PSD e o CDS, e que se autodefiniu como o candidato "mais à esquerda entre os da direita".

Acostumado a avaliar a ação de outros políticos, aos quais inclusive dava notas, agora é ele quem se submete às urnas para tentar ocupar um posto ao qual, dizem muitos, desejava há muito tempo.

De fato, o jornalista Vítor Matos, autor de uma biografia de Rebelo, o apresentou em seu livro como um homem predestinado a ser o melhor em tudo.

Se os resultados das pesquisas se confirmarem nas urnas neste domingo, em sua biografia ele terá que incluir um novo capítulo, o de "presidente Marcelo".

Divorciado, ele pode se tornar o primeiro chefe do Estado sem uma primeira-dama porque, lembrou, "não há nenhuma obrigação institucional de haver uma", e a última coisa que disse passar por sua cabeça é subir de novo ao altar, o que seria totalmente incompatível com suas profundas crenças católicas.

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