Socialistas chegam a eleição divididos entre dois candidatos

Lisboa, 21 jan (EFE).- Recém chegado ao governo de Portugal, o Partido Socialista (PS) enfrenta uma prova de peso como as eleições presidenciais deste domingo dividido, com dois candidatos que disputam o voto de seus simpatizantes.

A até poucos meses presidente do partido, Maria de Belém, mede forças com o acadêmico António Sampaio da Nóvoa em um pleito em que nenhum dos dois é favorito, buscando uma vaga no segundo turno contra o candidato apoiado pelos conservadores, o popular Marcelo Rebelo de Sousa.

A direção do PS optou por não apoiar oficialmente nem um nem outro, uma decisão polêmica que causou muita polêmica no país e que reflete as desavenças dentro do partido.

A candidatura de Maria de Belém - organicamente vinculada ao partido - é associada à corrente mais próxima ao ex-secretário-geral do PS, António José Seguro, enquanto Sampaio da Nóvoa - teoricamente um independente - é considerado mais próximo do atual líder do partido e primeiro-ministro, António Costa.

As dificuldades desta eleição para os socialistas não são só a divisão entre dois candidatos, mas a possibilidade de o conservador Rebelo de Sousa "roubar" apoios entre seus simpatizantes. E as pesquisas apontam que isto está acontecendo.

Entre os concorrentes socialistas, as pesquisas mostram uma pequena vantagem de Sampaio da Nóvoa, professor universitário de 60 anos e nascido em Valença do Minho, na fronteira com a Galícia. Ex-reitor da Universidade de Lisboa, ele chegou a iniciar a carreira de jogador de futebol nas categorias de base, mas durante sua época como estudante de Matemática, trocou os campos pelos palcos de teatro.

Mais tarde, ele se mudou para Lisboa, viveu em vários lugares da Europa, se formou em Ciências da Educação e continuou sua formação com um doutorado, além de ter sido professor em Nova York e no Brasil, e concluiu um segundo doutorado na Sorbonne, em Paris. Sua carreira acadêmica só foi interrompida entre 1996 e 1999, quando foi consultor de Educação para o então chefe do Estado, o socialista Jorge Sampaio.

Maria de Belém, por sua vez, possui um longo histórico na política e trabalhou nas áreas de saúde e assistência social.

Nascida no Porto há 66 anos, a ex-presidente do PS - entre 2011 e 2014 - é formada em Direito e construiu uma trajetória muito vinculada ao mundo partidário.

Ela trabalhou no Ministério de Seguridade Social logo depois do reestabelecimento da democracia em Portugal, foi chefe do gabinete do ministro da Saúde na década de 80 e dirigente de entidades sociais no começo dos anos 90.

Ministra da Saúde (1995-1999) e de Igualdade (1999-2000), Belém foi eleita deputada pela primeira vez em 1999.

Durante sua época como parlamentar, protagonizou uma polêmica por presidir comissões de Saúde enquanto fazia consultoria para o Grupo Espírito Santo, que além do negócio financeiro também tinha interesse nessa área.

Nesta eleição, a tensão entre os dois candidatos cresceu ao longo da campanha, com direito a troca de ásperas declarações. Enquanto Sampaio da Nóvoa acusa Belém de se sentir desconfortável com o acordo entre comunistas e marxistas que permitiu a chegada dos socialistas ao governo, ela vê em seu rival uma atitude de extrema-esquerda e se reafirma como a única candidata que representa realmente os valores do PS.

A existência de dois candidatos também obrigou os grandes barões do partido a escolherem um lado, com os históricos Mário Soares e Jorge Sampaio do lado de Nóvoa, e Manuel Alegre e Vera Jardim apoiando Belém.

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