Talibãs afirmam que atacaram produtora de TV por seu ódio ao islã

Cabul, 21 jan (EFE).- Os talibãs reivindicaram nesta quinta-feira a autoria do ataque cometido ontem contra um veículo de uma produtora de televisão em Cabul, que deixou pelo menos oito mortos e quase 30 feridos, ao assegurarem que a emissora "Tolo" odeia o Islã e despreza a cultura afegã.

Os talibãs indicaram em comunicado enviado à imprensa em Cabul que o ataque aconteceu "em resposta ao ódio da 'Tolo' ao islã, sua falta de respeito pela cultura afegã" e por forjar acusações contra os mujahedins (combatentes talibãs), entre outras coisas.

A polícia informou ontem que o ataque foi cometido contra um veículo que levava empregados da Kaboora Production, da "Tolo TV", deixando oito mortos, entre eles um terrorista suicida.

O porta-voz do Ministério da Saúde do Afeganistão, Ismail Kawusi, contou para a Agência Efe que os hospitais de Cabul atenderam 28 feridos.

Um empregado da emissora, que pediu o anonimato, relatou à Efe que vários de seus companheiros "morreram e ficaram feridos" e assegurou que a maioria dos mortos são mulheres, que trabalhavam com produção e design gráfico.

Os talibãs afirmaram hoje que já tinham alertado à "Tolo" e ao canal "1-TV" que as duas emissoras estavam na lista de alvos militares da organização.

Além disso, os talibãs alegaram que os dois canais não lhes deram escolha, já que "não deixaram de lado seu ódio ao islã e aos afegãos".

Nesse sentido, os insurgentes alertaram que apoiam os meios que não estejam contra o islã, mas que "aqueles que estão a serviço dos invasores devem aprender uma lição com esse ataque".

A Kaboora é uma companhia afegã com cerca de 200 funcionários que trabalha para meios como a "Tolo TV" e prestou serviço a organizações como as Nações Unidas, o exército, o parlamento e vários ministérios do governo afegão, além da embaixada dos Estados Unidos e de empresas estrangeiras, segundo seu site.

A assessoria de imprensa da embaixada russa confirmou para a Efe que o fato aconteceu "perto do local da embaixada", mas disse que "todos os trabalhadores estão seguros" e que não houve "nenhum dano" nas instalações.

Os talibãs declararam em outubro do ano passado como "alvos militares legítimos" os canais de televisão "Tolo TV" e "TV 1" e seus funcionários, por agirem como "ferramentas de propaganda dos Estados Unidos e do governo" do país asiático.

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