Casal de guerrilheiros troca armas por amor e se casa com benção da polícia

Noemí Jabois.

Nova Délhi, 22 jan (EFE).- Por causa da proibição de casamentos nas fileiras de seu grupo maoísta, um casal de insurgentes indianos abandonou as armas por amor e selou seu idílio em um incomum casamento com mais de 10 mil convidados que teve a polícia como anfitriã.

Até pouco tempo atrás, Koshi Markam era guerrilheira de um grupo maoísta e seu agora marido, Lakshman Podiyal, subcomandante de uma formação da mesma linha em uma cidade severamente golpeada pela insurgência no estado de Chhattisgarh, no leste da Índia.

"Antes lutávamos contra a polícia e lutávamos pelos maoístas. Nossos superiores não aprovaram nosso amor, portanto nos entregamos e agora a polícia nos casou", resumiu Podiyal.

Em um dos dois tipos de guerrilhas maoístas que operam em Chhattisgarh, concentrado na divisa com o estado vizinho de Andhra Pradesh, os casamentos são permitidos, explicou à Agência Efe R.N. Dash, superintendente da polícia de Jagdalpur, onde o casamento foi celebrado.

No entanto, Markam e Podiyal pertenciam aos denominados maoístas "locais", que são proibidos de se casar e muitas vezes submetidos a vasectomias e laqueaduras. Nesta encruzilhada, ambos escolheram o amor ao invés da luta.

Os policiais que até 2015 tentavam matá-los se transformaram em anfitriões do casamento, em uma grande cerimônia em que não faltaram roupas coloridas, percussão e dança, como mostraram as emissoras de televisão locais.

Ela, envolvida em um chamativo sari rosa e verde, e ele com um tradicional turbante fúcsia combinando com o de um grupo de convidados, estiveram acompanhados de mais de 10 mil pessoas, segundo detalhou o superintendente policial.

Muitos dos convidados eram policiais, alguns presentes como convidados e outros em serviço para zelar pela "segurança" da cerimônia, acrescentou Dash.

A polícia adotou, além disso, um papel geralmente reservado às famílias, e ajudou na organização do evento pelo lado do noivo, enquanto ela foi apoiada pela ONG Samajik Ekta Manch.

Os recém-casados agora estão "sendo recrutados" e em breve passarão a fazer parte das fileiras das forças de segurança.

O inspetor geral da polícia de Bastar, distrito ao qual pertence Jagdalpur, S.R. Kalluri, disse à Efe que a iniciativa faz parte de uma política de reabilitação, que inclui a formação e adesão ao corpo policial para ex-maoístas de acordo com seus "méritos".

Muitos deles, diz, são agora agentes e alguns, inclusive, alcançaram patentes superiores.

Apenas em Chhattisgarh, pelo menos uma dezena de maoístas morreram somente em 2016. No ano passado foram 120 mortos na região, entre eles 34 civis e 41 membros das forças de segurança, segundo dados do Portal de Terrorismo do Sul da Ásia.

Esta guerrilha, conhecida localmente como "naxalita" e que luta por uma revolução agrária de corte maoísta, nasceu de uma revolta em uma aldeia do estado de Bengala, em 1967.

Após ser reprimida pelo governo regional, se transferiu a estados próximos, entre eles Chhattisgarh, e hoje está ativa principalmente no chamado "cinturão vermelho", uma faixa de território que passa pelo centro e pelo leste da Índia.

"A mensagem que queremos enviar é que se (os maoístas) querem abandonar as armas, serão bem-vindos", finalizou o inspetor geral sobre o casamento.

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